ARTIGO – Correntes 

O fanatismo é arrepiante, dá medo, é perigoso, cega, enche os olhos de sangue, faz mover o coração com ódio. Transmuta o que podia ser amor em rancor. Nos diferentes só se vê demônios, nos iguais, apenas anjos, ainda que sejam anjos caídos, mas sempre, às vistas fanáticas, anjos.

Se estou falando de religião? Ah…. Não, nem havia me tocado que isso também cabe à religião. Pensava mesmo, aqui entrelaçando dedos, em algumas correntes dessa velha arte chamada política.

De um lado, um homem humilhado pelo jogo sujo da política. Por outro, uma mulher emocionalmente mutilada pela hipocrisia religiosa.

Não importa o verniz de nobreza dos discursos. Ideologias e dogmas, articulados tantas vezes por pessoas ressentidas, movidas por seus recalques, desumanizam, geram conflitos e destroem.

“Ficar incomodado implica mexer-se; e ser valente é enfrentar o inimigo, firme, teso, de pé; portanto, se ficas incomodado, não ficas parado e foges. ” Disse um dia William Shakespeare; isso quer dizer que a grandeza não está em ser perfeito, mas em poder olhar o espelho e distinguir nos traços da idade o poema. Perceber que hoje somos melhores do que ontem, perceber que cada lição valeu a pena. Porque, a despeito do sofrimento, e das marcas deixadas pelo tempo, atravessamos tudo e, assim, crescemos.

Acreditemos em dias melhores.


Beth Passos é jornalista 

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