ARTIGO – Mosaicos da Ressurreição de Cristo

À luz do Novo Testamento, a ressurreição de Cristo é tema fundamental ao cristianismo. Sem a ressurreição de Jesus Cristo, o cristianismo não poderia existir, seria uma fábula A ressurreição de Cristo determina a natureza da religião cristã como sendo uma religião metafísica, pois se Cristo estivesse ainda no túmulo, em Jerusalém, onde os milhares de pessoas que visitam Israel, todos os anos, pudessem passar pelo sepulcro e adorá-lo, então o cristianismo seria uma historieta. Para John Stott (1921-2011) teólogo e pensador cristão contemporâneo, a ressurreição de Cristo não significa a mera sobrevivência de uma influência etérea e fantasmagórica, nem um cadáver ressuscitado.

A maioria das religiões do mundo é baseada em pensamentos filosóficos, à exceção do judaísmo, budismo, islamismo e do cristianismo. Estas quatro baseiam-se em pessoas, mas destas, somente o cristianismo declara que seu fundador ressuscitou. Abraão, o pai do judaísmo, morreu dezenove séculos antes de Cristo. Não existe nenhuma evidência de sua ressurreição.

Buda viveu cerca de cinco séculos antes de Cristo, e ensinou alguns princípios acerca do amor fraternal. Acredita-se que ele morreu com a idade de oitenta anos. Não existem evidências de uma possível ressurreição sua. Maomé morreu no ano 632 depois de Cristo, e seu túmulo, em Medina, é visitado por milhares de devotos peregrinos todos os anos. Contudo não há evidências de que ele haja ressuscitado.

Muitos líderes que durante a vida inteira exerceram influência sobre a mente e o coração dos seus contemporâneos continuam vivendo após a morte, no sentido de que a memória do seu exemplo continua sendo uma inspiração. Em um grande mausoléu da Praça Vermelha, em Moscou, jazem os restos mortais de Lenine, embalsamados. O caixão de cristal de seu túmulo tem sido visitado por milhões de pessoas. No esquife está a inscrição: “Para ele que foi o maior líder de todos os povos. Foi o senhor da humanidade; ele foi o salvador do mundo”. Este tributo a Lenine está todo escrito no pretérito. Que marcante contraste com as palavras de Cristo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Evangelho de S. João 11.25). “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo. Verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Evangelho S. Lucas 24.39)

Deste modo, Jesus Cristo não é apenas uma influência que sobreviveu à morte, como se fosse um fantasma. Não!  As bases da fé cristã estão firmadas na sua ressurreição. O teólogo suíço Karl Barth disse que sem a crença na ressurreição corporal de Jesus Cristo não existe salvação. “Queres acreditar no Cristo vivo? Só podemos crer nele se acreditarmos em sua ressurreição corpórea”.

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo. Verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho”

(Evangelho S. Lucas 24.39)


Francisco Assis dos Santos é teólogo

E-mail: [email protected]

 

Assuntos desta notícia