ARTIGO – Dias difíceis 

Difícil dizer bom dia quando vivemos com medo, angústia e tristeza o tempo todo. São amigos postando que perderam um ente querido para esse vírus, que continua se espalhando pela irresponsabilidade de um governo insensível, corrupto e boa parte da população irresponsável.

São tantas pessoas mortas. Infelizmente, a morte foi mesmo banalizada. Muita gente nem se choca mais. Outras, ainda alimentam notícias falsas, seguem fingindo não enxergar a situação real do país em que vive. É uma agonia temperada de dor e ódio pelo descaso e a vã esperança de viver até amanhã para sentirmos mais lágrimas rolando nosso penar verde e amarelo.

O momento ainda é de tristeza e perdas. Ao mesmo tempo, em que muitos amigos são vacinados. É uma alegria inexplicável. É como se minhas células fossem, aos poucos, imunizadas também. Então vamos lutar por cada minuto que precisarmos respirar fundo. Cada vez que a dor for mais forte. Quando o caminho for mais longo. Quando nossas forças faltarem. Quando o pedido for negado. Se notarmos um coração frio. Quando sumir nosso chão. Quando a nossa gargalhada escapar impulsiva. Quando a lágrima for emotiva. Que o abraço não nos deixe fugir. Quando o momento for de partirmos. Que saibamos o momento de pôr o joelho no chão e as mãos para o céu. De ouvirmos a voz de Deus. Que saibamos a hora do adeus. Que tenhamos a certeza da eternidade, porque a ciência está lutando. O mundo está tentando. Vamos nos unir em um pensamento firme e forte de proteção e cura para todos. Vamos manter a nossa fé.


Beth Passos é jornalista 

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