ARTIGO – Os simbolismos da Páscoa  

Se precisamos ir ao culto ou à missa para Deus nos ouvir, estaremos rezando para o Deus errado. Mas não podemos fugir das tradições orquestradas pela igreja católica, e a Páscoa é uma delas. A fé cristã nos ensina que com a morte continuaremos vivendo em Deus, com uma vida transformada.

A igreja impõe dias e cores, e o roxo é a cor da páscoa e da realeza. A cor das vestes com que Jesus foi coberto quando foi levado para a cruz. Está ligada ao mundo místico, significa espiritualidade, magia e mistério. O roxo transmite a sensação de tristeza e introspecção. Estimula o contato com o espiritual, proporcionando a purificação do corpo e da mente. É a cor da transformação, apropriada para um local de meditação. É uma das cores litúrgicas na Igreja Católica que se usa no período da Quaresma. Usada também nos paramentos dos sacerdotes e decoração das igrejas. Para os católicos, o roxo tem significado de melancolia e penitência.

O tão comercializado ovo de páscoa, hoje, de chocolate, é um símbolo anterior ao Cristianismo, que representa a fertilidade e o renascimento da vida. Praticado muitos séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos no Equinócio da Primavera (21 de Março) era um costume que celebrava o fim do Inverno e o início da primavera. Para obterem uma boa colheita, os agricultores enterravam ovos nas terras de cultivo.

A páscoa é a própria ressurreição, significa a entronização de alguém numa ordem de vida que não tem mais nenhuma entropia e nenhuma necessidade de morrer. É uma vida tão inteira que não deixa nenhuma brecha pela qual a morte pode entrar. É quando implode e explode o ser novo que vinha embrionariamente se formando ao longo dos bilhões e bilhões de anos, até fechar o seu ciclo de realizações. São Paulo disse que irrompeu o “novíssimo Adão”.

Para muitos viver é possuir, ter sucesso, superar as dificuldades no dia-a-dia; para outros, é amar e lutar por causas justas.  Vida autêntica é aquela que responde aos anseios mais verdadeiros do ser humano. São anseios de felicidade, de paz, de liberdade, de vida honesta, sincera e solidária, projetos autênticos; “é ter mil razões para viver, é ter uma causa a que dedicar a vida”, como bem disse Dom Hélder Câmara.


Beth Passos é jornalista 

E-mail: [email protected]

Assuntos desta notícia