ARTIGO – Realismo mágico

García Márquez, morto em 17 de abril de 2014, enfrentou diversas dificuldades, inclusive financeiras, até consagrar-se como escritor. Justamente por sua opção política na defesa dos interesses nacionais e do povo de seu país e contra toda forma de opressão, transformou-se em um dos maiores representantes latino-americanos do chamado “realismo mágico”, uma escola literária que usa do absurdo para mostrar a realidade, numa maneira de driblar a censura existente na maioria dos países na parte sul do continente. Para alguns, uma resposta latino-americana à literatura fantástica europeia, só que diferentemente, aqui, não apresenta teor niilista em seu conteúdo. Pelo contrário, vislumbra um futuro melhor. Márquez sempre acreditou na necessidade de unidade dos países latino-americanos e de uma luta conjunta, permanente, contra a sombra do imperialismo e do fascismo no continente.

Hoje vivenciamos a verdadeira indústria da fake news, jamais vista na história brinca de marionete que manipula, que mente, que omite e que trata as pessoas como escravos, sem nenhuma dignidade. O verdadeiro problema é: que a maioria das pessoas ao contrário de se indignarem, de se manifestarem, de até mesmo reivindicarem pelos seus direitos, com as causas e as pessoas que realmente são as responsáveis pelo caos instalado, elas preferem proteger e continuar a repetir slogans mentirosos criados por este mesmo sistema que as condenam, como ovelhas.

A síndrome de Estocolmo já se alastrou na sociedade, se os escravos continuarem a colaborar com este sistema nefasto, o poder de persuasão continuará levando embora a sua vida, o seu intelecto, o seu pensar, a sua saúde e para acabar a sua alma. E você terá contribuído para o seu sucesso.

O crime de Estado foi instalado com o apoio da mídia, eu e poucos não estamos dispostos a aceitar e a ser cúmplice desta barbárie. Só para lembrar, foram 388 anos de escravidão. E tem gente que diz não entender as desigualdades sociais. Esse País tem 519 anos.


Beth Passos é jornalista 

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