ARTIGO – Temos vacina 

A Butanvac, vacina cujo pedido de autorização para estudos clínicos deu entrada na ANVISA, usa a mesma tecnologia da vacina contra a gripe. No fim de março, o Butantan entregará as 80 milhões de doses anuais de vacina contra a gripe e esta estrutura fabril poderá ser usada para a fabricação da Butanvac.

Os estudos clínicos não devem usar placebo, mas as outras vacinas cujos dados já conhecemos. A Butanvac utiliza a proteína Spike da variante P1 (de Manaus), que já se tornou predominante em todo o Brasil. Serão testados intervalos diferentes e também a eficácia de uma única dose. Caso ela se saia bem nos estudos clínicos, poderá suplementar o PNI (Programa Nacional de Imunização) a partir de julho. E também poderá ser exportada para países vizinhos de baixa renda ou com poucas doses de outras vacinas. A pesquisa é financiada pela Fundação Butantan, com apoio do governo do estado de São Paulo e também com verbas próprias da fundação que apoia o instituto, não há investimento do governo federal.

A ANVISA autorizou o Instituto Butantan a realizar testes, em pacientes internados, de um soro anticoronavírus, desenvolvido a partir do plasma de cavalos, a mesma tecnologia que o instituto utiliza na fabricação de soros antiofídicos. O soro não é uma vacina, é um tratamento adjuvante, pois possui anticorpos prontos, para pacientes que tenham sido contaminados pela COVID-19. O Brasil tem PESQUISA CIENTÍFICA. O Brasil tem capacidade para ter AUTONOMIA VACINAL. O Brasil tem capacidade para vacinar mais rapidamente que qualquer outro, graças ao SUS. É só não haver vontade política CONTRA ISSO.


Beth Passos é jornalista 

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