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#GentedoAcre

“As pessoas gostam de mim, mas eu não posso ser ‘muito’ gay”, desabafa Pablo Charife

Influenciador fala sobre combate ao preconceito, saúde mental e os desafios da vida, com o bom humor que é sua marca registrada

Pablo fala de tudo um pouco, mas os assuntos que ele mais aborda são saúde mental e combate ao preconceito (Foto: Arquivo pessoal)

Alegre, irreverente, comunicativo… São muitos os adjetivos que podem ser usados para se referir a Pablo Charife, o comunicador – como ele mesmo se define – que leva com bom humor temas sérios às suas redes sociais, impactando diariamente seus mais de 33 mil seguidores no Instagram.

Formado em Artes Cênicas e Marketing, o acreano tem 34 anos e descobriu nas redes sociais uma oportunidade de levar sua mensagem a pessoas que se identificam com sua trajetória. Um dos temas que ele mais trabalha é a saúde mental.

“Depressão, transtorno bipolar, todas as doenças relacionadas à saúde mental, sempre com responsabilidade, levando a minha vivência. E quando vou falar sobre assuntos mais expansivos, levo sempre um profissional, porque eu acho que, quando você se torna uma figura pública, tem que ter responsabilidade social”, conta ele.

Gastronomia também é um dos assuntos que ele mais gosta de falar (Foto: Arquivo pessoal)

O carinho do público é uma das coisas que Pablo mais curte na profissão de influenciador digital. “Todas as vezes que eu falo sobre saúde mental, eu recebo muitas mensagens, muitas histórias, algumas não tão boas, outras positivas. Em relação a minha mãe também, que está acamada, desde que ela teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Eu não mostro muito ela, mas eu falo sobre a nossa rotina, e as pessoas têm um carinho muito grande por ela, mas eu acho que o que mexe muito comigo é quando as pessoas se identificam comigo a ponto de mudar depois de verem alguma coisa que eu postei”, diz Charife.

Outro tema que ele também costuma abordar é o combate ao preconceito, em especial à gordofobia [preconceito contra pessoas com excesso de peso ou obesidade] e à homofobia, causas que Pablo defende com unhas e dentes, por ser a expressão viva da resistência.

“Um corpo não pode definir uma pessoa. Uma pessoa é muito além da casca dela, então sempre falo muito isso, e as pessoas aceitam muito bem. Existe muita gordofobia e machuca bastante. Também falo muito sobre homofobia e você poder ser quem quiser, sendo gay, sendo hétero… Mas eu, como gay, sempre falo com as pessoas que são gays que, sim, você pode ter o seu espaço, ser amado, ser querido, você pode ser aceito sendo você”, reflete Pablo.

Preconceito

(Foto: Arquivo pessoal)

Apesar do carinho das milhares pessoas que o acompanham nas redes sociais, nem tudo são flores. O mesmo mundo virtual que Pablo usa para falar de respeito e tolerância ainda tem espaço para o preconceito, que na internet, se manifesta de diversas formas.

“A gente, ultimamente, tem romantizado, dizendo que está tudo aceito, mas infelizmente não está. Esses dias eu postei uma foto com uma bolsa da minha mãe. Eu quis usar uma bolsa porque eu queria ter a minha mãe mais próxima de mim, pra mim é só uma bolsa (…) e eu não acho que, por ser homem, é um problema usar uma bolsa. Só que, quando eu usei essa bolsa, eu perdi cerca de mil seguidores. Então, ainda existe muito preconceito, mas é muito velado. As pessoas gostam de mim, mas eu não posso ser ‘muito’ gay”, desabafa.

Mesmo quando há rejeição, Pablo não se deixa abater. Para ele, os desafios o deixam mais forte para seguir em frente. Por isso, ele deixou uma mensagem especial para os leitores do site A Gazeta do Acre que se identificam com sua história.

Quer saber qual foi a mensagem? Confira a integra da entrevista no vídeo abaixo: