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Francisco Assis
Francisco Assis dos Santos é filósofo e humanista. Email:[email protected]

Democracia brasileira: Um olhar quimérico

A democracia, em vigência no Brasil  apesar do facciosismo político, em especial o partidário, nas casas legislativas, que servem-se do poder  para  votar e aprovar subvenções públicas e abocanhar cargos de primeiro escalão. Apesar dos pesares dos últimos acontecimentos políticos, exemplo crasso são as reuniões da CPI da Covid, onde pontifica a inimizade, o ódio e a suspeita, a democracia brasileira, ainda permite, um  olhar quimérico. Quimeras de que neste país de dimensões continentais, com suas diferenças e grandes desigualdades regionais, sejam desenvolvidas  políticas públicas rigorosas e eficazes que atendam os anseios da sociedade. Sonhar com uma sociedade em que  não existam  a corrupção, a pobreza, a tirania e a guerra. Sei que parece miragem, mas é preciso continuar sonhando!

O meu sentimento quimérico é que possamos sair desse “gueto” vicioso de tão somente assumir compromissos históricos, através de discursos politicamente correto, uma vez que há, na prática, uma distância entre o sonho de uma sociedade perfeita e sua ilusória concretização. Chega de  deslumbramento, do tipo: “estamos no topo da economia mundial”, quando todos sabem que, em economia mundial, esses dados são “flutuantes” e enganosos.

Sonhar, que o combate à fome e a miséria não se faça tão somente com ações sociais assistencialistas; que tenhamos medidas enérgicas no campo da economia, pois precisamos, como nação, da parte dos que dirigem este país, muito mais do que promessas descabidas, de atitudes sérias na condução da coisa pública. Esse olhar quimérico, só é possível num sistema democrático. Em sistemas totalitários, pode-se até sonhar, contudo sem esperança de liberdade de enunciação do pensamento por meio de gestos ou palavras escritas ou faladas.

Mesmo assim, devemos sonhar com novos tempos em que os políticos dêem boas novas para o povo. Porquanto, é dever da política e seus mais dignos representantes apresentarem a política como à “arte de tornar os sonhos reais.” Ou  será que “eles”, os que têm e estão no poder, desaprenderam a sonhar? Vivem, hoje, dos recorrentes apelos aos “novos” modelos de convívio e sobrevivência social! Demogógico, por sinal!

Sonhar, ainda que seja somente uma “doce ilusão”, em ver mais probidade por parte dos  congressistas, na condução dos destinos do País. Sonhar, ao mesmo tempo, para  que o descaso público que  se revela na “postura” de alguns senhores parlamentares,  não se repitam nas entranhas do poder constituído e, em especial  no Congresso Nacional.

Contudo, o que  faculta esse olhar quimérico sobre a democracia brasileira? A reposta é simples: O voto!  Voto da esperança;  voto da quimera que surge da indispensável necessidade,  que cada de um de nós possui de repensar, conscientemente, os efeitos da política partidária de conchavos e dos falsos representantes de quem fomos vítimas nos últimos anos

Enquanto esperamos a hora do voto; enquanto o sonho não se concretiza, sigamos pacientemente, a máxima aconselhável das Monjas Teresíanas, dos tempos antigos: “ver, ouvir e não calar!”

 

HUMANISTA. E-mail: [email protected]

 

“O meu sentimento quimérico é que possamos sair desse “gueto” vicioso de tão somente assumir compromissos históricos, através de discursos politicamente correto.”