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Francisco Assis
Francisco Assis dos Santos é filósofo e humanista. Email:[email protected]

“O Vasco só me dá alegria!”

 

A bem da verdade, a expressão em epigrafe, “o Vasco só me da alegria”,  é de autoria do mais famoso dos vascaínos. Nada mais, nada mesmo que Chico Anysio (1931-2012).

Quanto a mim nasci numa família de “vascaínos”. Quando menino, em meados dos anos 50, já ouvia ressoar nos quatro cantos da casa, o nome de Ademir de Menezes “O Queixada” que figura entre os maiores  “centroavantes” da história do Vasco da Gama.  Com o “Queixada” não tinha “coisa e lousa”, era bola na rede mesmo.

Entretanto, só  comecei a ser um  aficionado vascaíno a partir de 1960. Em 1962, por exemplo, o Vasco tinha um time fraco em relação ao Flamengo de Dida, Gerson “ O canhotinha de ouro”, Joel,  Henrique, et cetera e tal. Em relação ao Botafogo, aí a coisa complicava mais ainda, pois lá estavam: Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo. A crônica carioca, ainda em 62, enxergava em Lorico, meia armador, como aquele que se destacava no elenco.

Independente da fraqueza do time era sempre a mesma alegria, seja no meio da semana com Celso Garcia (1929-2008) ou nas tardes de domingo, ouvir na rádio Globo os jogos do Vasco na voz do fenomenal Waldir Amaral (1926-1997) e comentários de Ruy Porto (1927-1990). Interessante notar, que eram poucas, as famílias, que tinha em casa um aparelho “Rádio Semp” com capacidade, dependendo do horário, de entrar nas freqüências moduladas Am 25 e 31 quilohertz ,  motivo que levava as rádios locais do Norte e Nordeste brasileiro, quase sempre, a transmitirem em “cadeia nacional” as partidas de futebol do Campeonato Carioca e; do torneio Rio/São Paulo. Na época o Campeonato Carioca era tão valorizado quanto o Campeonato Brasileiro de hoje. Tempos bons!

A conquista da 1ª Taça Guanabara, em 1965, foi um dos dias memoráveis da minha longa caminhada de torcedor vascaíno. 2×0, na final, em cima do Botafogo. Em 1974 veio o 1º título de Campeão Brasileiro. No time campeão se destacava o maior ídolo dos últimos 50 anos, Bob Dinamite.  E o Romário? E o Edmundo?

Bem, estes são ídolos, entre aspas, pois vestiram a camisa “daquele time”, diria o botafoguense  Sílvio Martinello. Aliás, tem que remover a estátua do “baixinho” lá de São Januário.

O tempo passou, ganhamos uns títulos do brasileirão, uma Copa Libertadores da América, em 98 e, finalmente, chegamos à série B

Tenho menos alegria pelo fato de o Vasco estar, temporariamente, na série B? Não! Claro que não! Pois, o Vasco da gama é muito maior do que todo este contexto atual: de maus dirigentes; elenco fraquíssimo e; treinadores com mais sorte do que juízo. A propósito, o último treinador que tivemos vivia na beira do campo mandando todos, indistintamente, “apanhar caju”. As lentes de longo alcance das TVs que transmitem os jogos mostraram por diversas vezes, ele quase inconsciente, balbuciando: “vai apanhar caju”.  “vai apanhar caju”.  Como ele é psicólogo, talvez Freud explique.

Assim, independente do momento “o Vasco da Gama só me dá alegria”, principalmente por causa da sua grandeza social inclusiva. O Vasco da Gama é o primeiro clube de futebol a contar com jogadores negros, tornando-se símbolo de luta contra o racismo. E viva o Vasco! E viva o Dia da Consciência Negra!

Ah, o Vasco é emoção. Então, “EMOCIONA, VASCÃO, EMOCIONA!”” diria o narrador Jota Santiago (79 anos) da Super Rádio Tupi/RJ.

 

HUMANISTA. E-mail:[email protected]

“O Vasco da Gama é o primeiro clube de futebol a contar com jogadores negros, tornando-se símbolo de luta contra o racismo”