Pular para o conteúdo
Saúde e longevidade

Centro de Pesquisa busca pessoas hipertensas e com histórico de AVC para tratamento gratuito no Acre

Hipertensão é fator de risco para doenças circulatórias (Foto: Thirdman/Pexels)

A hipertensão arterial é o principal fator de risco para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), risco que é ampliado quando o controle da pressão é negligenciado pelo paciente. No Acre, um projeto inédito desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Clínica Silvestre Santé, em parceria com o Hospital Albert Eisntein, e com apoio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi SUS), visa recrutar cerca de mil pacientes hipertensos e com histórico de AVC, para um estudo que visa identificar a melhor forma do controle da pressão arterial em pacientes com essa condição.

Atualmente, estima-se que cerca de 20 mil riobranquenses sejam hipertensos e já tenham tido um AVC ao longo da vida. Para o projeto, a estimativa é reunir cerca de mil pessoas, que serão tratadas sem custos, por um período de até quatro anos, tempo em que uma equipe médica especializada acompanhará os pacientes com consultas mensais, exames laboratoriais, eletrocardiograma, entre outros, além do fornecimento gratuito de medicamentos. Desta forma, a equipe responsável acredita que o estudo poderá dar mais longevidade a estas pessoas através do controle da pressão arterial, prevenindo doenças mais graves, como o próprio AVC, entre outras e, consequentemente, reduzindo a internação, gerando também um impacto positivo no Sistema Único de Saúde.

O projeto é liderado, no Acre, pelos médicos Odilson Silvestre, Wilson Barbosa e Gabriela Cordeiro, além da enfermeira Laura Nadyne Silvestre. De acordo com Odilson Silvestre, o Centro de Pesquisa faz estudos junto ao Ministério da Saúde e hospitais de excelência, como é o conhecido Albert Einstein.

Dr. Odilson Silvestre tem pós-doutorado em doenças cardiovasculares pela Harvard. (Foto: Divulgação)

“Essas pesquisas testam algumas estratégias para melhorar o tratamento das pessoas no SUS. Já temos pesquisas com outras doenças, e essa pergunta ‘qual é o melhor jeito para tratar pressão alta em pessoas que já tiveram AVC?’ é feita pelo grupo de pesquisa do Hospital Albert Einstein, que temos parceria para fazer essa pesquisa [aqui no Acre]”, explica Silvestre, que é médico cardiologista pelo Instituto do Coração de São São Paulo, doutor em cardiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado em doenças cardiovasculares pela Harvard University.

Além de não oferecer nenhum custo para o paciente, um dos principais diferenciais do estudo é a possibilidade de aumento da adesão dos pacientes ao tratamento, pois a maioria dos medicamentos para controle da pressão arterial é feita com base na ingestão de diversos comprimidos ao longo do dia. Já durante a pesquisa, o paciente terá acesso a medicamentos também de qualidade, porém na forma de ‘polipílulas’, como explica o também cardiologista Wilson Barbosa.

Cardiologista Wilson Barbosa destaca benefícios do tratamento por meio de medicamentos de ponta que serão oferecidos (Foto: Divulgação)

“Não que a medicação do SUS não controle, mas acaba que essas novas medicações acabam tendo uma adesão melhor pelo número menor de tomadas, então tudo isso acaba auxiliando no melhor controle da hipertensão. Uma medicação que o paciente tem que tomar três vezes ao dia é uma coisa, e a medicação que a pessoa tem que tomar uma vez ao dia acaba tendo um impacto na adesão medicamentosa, um dos grandes motivos para os pacientes não terem a pressão controlada. Os medicamentos que são ofertados aqui são polipílulas, ou seja, são dois ou três medicamentos no mesmo comprimido. E a gente sabe que, quando a pessoa tem que tomar vários comprimidos por dia, ela pode parar [o tratamento], então essas medicações [polipílulas] duram o dia todo, sendo várias medicações no mesmo comprimido. Com apenas uma pílula, o paciente controla a pressão dele”, diz Barbosa, que é sub-investigador do Centro de Pesquisa Silvestre Santé, formado em Medicina pela Universidade Federal do Acre, com residência em Cardiologia pelo INC do Rio de Janeiro, e em Arritmologia também pelo INC/RJ .

Critérios de participação

Enfermeira Laura Silvestre diz que consultas já estão sendo agendadas para iniciar o protocolo de tratamento (Foto: Divulgação)

A enfermeira e Mestre em Ciências pela Universidade Federal do Acre, Laura Nadyne Silvestre, é coordenadora do Centro de Pesquisa e destaca que a inclusão de pacientes no estudo começou na última semana, e cinco pacientes já estão sendo acompanhados, enquanto outros 30 já estão com consultas agendadas para dar início ao protocolo.

“No momento, nós estamos atendendo por contato telefônico, no qual a gente avalia o paciente e verifica se ele possui os critérios necessários para iniciar o acompanhamento. Estamos nesta fase de busca e avaliação destes pacientes. Neste protocolo, a partir do momento em que o paciente é incluído no nosso sistema, ele vai receber um acompanhamento durante quatro anos com consultas cardiológicas, exames laboratoriais, eletrocardiograma, dispensação de medicamentos pela Indústria Cervieux, pelo período máximo de 48 meses”, esclarece Nadyne.

“A gente não tem muitas restrições, alguém que teve um AVC, há dois dias ou há 20 anos, essa pessoa tem um risco enorme, pois ela tem uma doença circulatória. Essas pessoas chamam a atenção porque tem um grande risco de ter outra doença circulatória, como infarto, um novo AVC, coração grande (…) então, essas pessoas tem uma sobrevida, ou seja, a quantidade de vida pela frente é menor, porque tem esse problema circulatório e, justamente por conta da pressão alta que está mal controlada. O objetivo é capturar esses pacientes que tem uma doença grave, e que tem risco de morrer logo por alguma outra complicação, e tratar bem da pressão delas, assim a gente reduz esses riscos de eventos como infartos e AVCs, e essas pessoas acabam vivendo mais por controlar bem a pressão”, ressalta o médico cardiologista e investigador da pesquisa, Odilson Silvestre.

Para participar do estudo e ter acesso aos benefícios, basta entrar em contato com o Centro de Pesquisa Clínica Silvestre Santé, por meio do telefone (68) 9987-7750 ou diretamente no WhatsApp clicando aqui. O Centro fica localizado na Rua Quintino Bocaíuva, nº 1108, bairro José Augusto, Rio Branco/AC.