Jurgleide Freitas viu sua vida mudar drasticamente em 2020, quando foi demitida após 11 anos no setor administrativo, durante a pandemia da Covid-19. “Até aí tudo bem”, relata ela, que então decidiu empreender no mundo dos chocolates. Com recursos limitados, comprou os ingredientes básicos: “Comprei duas caixinhas de leite, duas de creme, um coco ralado e uma forminha de fazer as trufas. Eu ia tentar”.
O que começou como uma pequena venda para amigos e familiares na igreja rapidamente se transformou em um negócio, de modo que uma coisa foi puxando a outra. “Das trufas, surgiu a ideia de trabalhar com geladinho gourmet. Do geladinho gourmet, passei para picolé. Dos picolés, passei a vender taças da felicidade, que vendem muito aos finais de ano. Das taças, passei a vender os copos da felicidade e assim foi. As ideias vêm, a gente vai colocando em prática”, comenta, dando detalhes de como nasceu o Doces da Juh.
Com a proximidade da Páscoa, à época em que começou a vender, passou a vender os ovos de chocolate. “Já faz cinco anos que trabalho com chocolate e eu só tenho a agradecer a Deus”, enfatiza, acrescentando ainda que a expectativa para este ano é boa, apesar do preço dos produtos. “Todo ano é um desafio pra gente, com os preços lá em cima, mas a gente garante que essa Páscoa de 2025 vai ser uma das melhores, até porque a gente pensa no consumidor”.
Jurgleide fala ainda sabe que é difícil para alguns pais, por exemplo, ver preços absurdos em ovos de Páscoa. “Eu me coloco como mãe, como pai, que tem aquela vontade de dar um ovo da Páscoa para sua criança e não tem condições recebendo um salário mínimo. Eu me coloco [no lugar de] uma família de cinco filhos, para dar um ovo da páscoa no valor de R$ 80, R$ 100. Eu sei que será um desafio, mas eu creio que vai dar tudo certo”.
Mais uma provação
A trajetória de Jurgleide não foi fácil. Sete meses atrás, seu esposo, que trabalhava como vigilante e motorista de aplicativo, foi demitido, e o casal enfrentou dificuldades financeiras. “A gente perdeu nosso carro para a justiça por duas parcelas atrasadas”, revela. Com o lar abalado, Juh fez uma oração a Deus pedindo ajuda, e surpreendentemente, um cliente fiel se ofereceu para apoiá-la. “Ele me fez um Pix, e foi assim que pude recomeçar”.
Atualmente – e felizmente – a situação melhorou. “Sou muito grata a Deus por tudo que ele tem feito na minha vida”, dizendo ainda que é criticada pelos valores dos produtos, bem abaixo do encontrado em outros cantos. “Eu não sou rica, não moro num palácio, não tenho empresa, mas eu me coloco no lugar do próximo. Tem tanta gente que não tem condições de comer um doce de qualidade, e se Deus me deu condições de preparar um doce bom, eu cobro um preço justo”, reitera.
Jurgleide contou ainda uma história comovente sobre uma cliente, que mora no bairro Seis de Agosto, e é carente, de modo que os três filhos dela nunca tinham comido chocolate. “Quando ela me viu no Facebook, ela veio me perguntar. E aí, eu fiz um preço generoso, abaixo do normal: eu sei que o meu doce vale muito mais do que isso, porque são doces feitos com produtos de qualidade. Mas eu me coloco no lugar do próximo, de saber que há pessoas que não têm condições de comprar um doce bom. E Deus honra aqueles que honram Ele”, finaliza.