Ícone do site Jornal A Gazeta do Acre

MPF aciona Justiça para evitar fechamento de casa de passagem para migrantes na fronteira

MPF aciona Justiça para evitar fechamento de casa de passagem para migrantes na fronteira

Foto: Juan Vicent Diaz

Garantir a continuidade do funcionamento da Casa de Passagem de Epitaciolândia. Foi com este objetivo que o Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal, no âmbito de ação civil pública, a concessão de liminar. A medida foi requerida para assegurar a atuação coordenada da União, do Estado do Acre e dos municípios da tríplice fronteira (Brasil, Peru e Bolívia) no enfrentamento de fluxos migratórios recorrentes na região.

A casa de passagem acolhe diariamente migrantes em situação de vulnerabilidade e enfrenta risco iminente de fechamento por falta de repasses federais, atrasados há mais de quatro meses. O espaço recebeu cerca de 224 imigrantes entre novembro de 2024 e março de 2025, incluindo crianças, gestantes, idosos e famílias inteiras, segundo informações da Prefeitura de Epitaciolândia.

Na manifestação enviada à Justiça, o MPF destacou que os fluxos migratórios na região são eventos contínuos e previsíveis, não sendo razoável a ausência de um plano de contingência estruturado e de repasses financeiros estáveis por parte dos entes federativos. Apesar de a Portaria nº 1.040/2024 do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social prever repasses emergenciais para cidades afetadas por crises humanitárias, os recursos ainda não foram liberados, deixando o município à mercê de soluções improvisadas.

Segundo o procurador da República Lucas Costa Almeida Dias, responsável pela ação, “não se pode esperar o colapso total dos serviços e o agravamento de violações à dignidade humana para só então agir. A resposta estatal precisa ser contínua, articulada e preventiva”.

Pedidos apresentados pelo MPF

O MPF requer à Justiça a concessão da tutela de urgência para:

• Determinar o pagamento imediato dos recursos federais devidos à Casa de Passagem de Epitaciolândia;
• Garantir a elaboração, no prazo de 30 dias, de plano de contingência conjunto com a participação da União, Estado e municípios, com os seguintes eixos:
◦ Ampliação dos abrigos emergenciais e estrutura técnica nos municípios de fronteira;
◦ Atendimento à saúde, inclusive para migrantes sem documentação, com foco em grupos vulneráveis;
◦ Fornecimento de alimentos, itens de higiene, mobiliário e vestuário;
◦ Inserção de crianças e adolescentes na rede pública de ensino;
◦ Regularização migratória, acesso a documentos, inclusão no CadÚnico e benefícios sociais;
◦ Ações de combate ao tráfico de pessoas e contrabando de migrantes;
◦ Estabelecimento de repasses financeiros contínuos e planejados aos municípios fronteiriços.

O MPF ressalta que soluções pontuais e emergenciais não têm sido suficientes para enfrentar a demanda crescente por acolhimento e assistência humanitária na região. O órgão seguirá acompanhando o caso para garantir respostas institucionais duradouras e coordenadas frente aos desafios migratórios da Amazônia Ocidental.

Sair da versão mobile