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Lula diz que vídeo de Nikolas sobre Pix buscava “defender o crime organizado”

Lula diz que vídeo de Nikolas sobre Pix buscava "defender o crime organizado"

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista à Rádio Itatiaia. Aeroporto de Pampulha – Belo Horizonte (MG) - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou megaoperação contra o crime organizado em entrevista concedida nesta sexta-feira (29/8). Durante conversa com jornalistas da Rádio Itatiaia, o chefe do Executivo falou sobre medidas de fiscalização da Receita Federal e, sem citar o nome de Nikolas Ferreira (PL), relembrou o vídeo viral sobre suposta taxação do Pix. Segundo Lula, a publicação tinha objetivo de defender o crime organizado.

“Tem um deputado que fez uma campanha, sabe, contra as mudanças que a Receita Federal propôs e agora tá provado que o que ele tava fazendo era defender o crime organizado e nós não vamos dar trégua por crime organizado”, destacou, sem citar o nome do parlamentar. Ele também sinalizou que a medida, que determinava o envio de informações à e-Financeira sempre que houvesse movimentações acima de R$ 5 mil mensais no caso de pessoas físicas e de R$ 15 mil mensais para pessoas jurídicas, deve ser implementada.

Nikolas publicou trecho da entrevista nas redes sociais e chamou fala de Lula de “canalhice”. “Irei à Justiça para que responda por essa difamação assim como farei com todos os demais – estou compilando tudo”, declarou.

No início de 2025, um vídeo em que Nikolas acusava o governo de tentar taxar o Pix após mudança na regra de fiscalização pela Receita. Por conta da repercussão, o governo precisou recuar da medida.

O conteúdo de desinformação disseminado pelo parlamentar também foi criticado pelo secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, na quinta-feira (28/8). “Essas fake news foram tão fortes que, apesar de todo o esforço da Receita Federal, ajudada pela mídia tradicional, não conseguimos reverter as mentiras”, declarou. “Tivemos que dar um passo atrás e revogar a instrução normativa. E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras: o crime organizado”.

Segundo a Receita, a revogação criou um “vácuo regulatório” e permitiu que organizações criminosas utilizassem as fintechs e contas de passagem para movimentar grandes quantias sem rastreamento.

Combate ao crime organizado
Durante a entrevista, Lula classificou as operações deflagradas na quinta como “a operação mais importante da história de 525 anos do Brasil” contra o crime organizado e destacou que a ação chegou a nomes do “andar de cima” das facções. Ao ser questionado se a operação poderia ser uma resposta às acusações de Jair Bolsonaro (PL), que acusava o PT de relação com o crime, o mandatário respondeu: “vamos ver quem é que está no crime organizado”.

O presidente afirmou que as operações vão “mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado” e que o governo federal vai trabalhar para dar suporte à Polícia Federal. “O crime organizado hoje é uma coisa muito sofisticada, porque ele tá na política, no futebol, na justiça, está em tudo que é lugar, é um braço internacional muito poderoso, tem relações com o mundo inteiro, é uma verdadeira multinacional”, pontuou.

As operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, que investigam esquemas de corrupção ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), conta com a colaboração da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As investigações mostram que cerca de mil postos de combustíveis em dez estados movimentaram mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, usando fintechs como “bancos paralelos” para ocultar recursos ilícitos.

Relembre polêmica sobre o Pix

Por: Correio Braziliense

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