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O ‘efeito porta’: por que esquecemos o que íamos fazer quando mudamos de cômodo?

Pesquisas revelam que as falhas de memória quando entramos em um novo ambiente não se devem à distância, nem ao tempo decorrido, mas ao simples fato de mudarmos de "cena".

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
10/08/2025 - 15:30
Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

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Você chega à cozinha com uma ideia clara na cabeça. Mas, ao cruzar a porta, algo se dilui e você não lembra o que veio fazer.

Você fica, então, alguns segundos em frente à geladeira, como se o frio pudesse refrescar a intenção que se perdeu com a mudança de ambiente.

A psicologia cognitiva estudou este fenômeno e ele é conhecido como “efeito porta” (doorway effect ou location updating effect, em inglês). Basta atravessar uma porta para que o cérebro interprete que uma função terminou e outra começou.

Isso ocorre porque nossa memória semântica (que usamos para recordar conceitos) funciona melhor quando está associada à memória episódica (que empregamos para recordar lugares). E esta última está vinculada a chaves contextuais.

Por isso, quando voltamos ao contexto original (sempre dissimulando um pouco, se houver alguém presente), costumamos recuperar as informações perdidas.

Essa farsa efêmera bem que poderia ser representada em um teatro, como o simbólico e carnavalesco Grande Teatro Falla de Cádiz, na Espanha, em frente ao qual escrevo estas palavras.

Mão com um dos dedos cheio de laços de fio vermelho para relembrar coisas

Getty Images
Estudos revelaram que as pessoas que aprendem em um mesmo ambiente costumam esquecer menos

Abrem-se as cortinas e surgem pessoas em trajes de mergulho

No final da década de 1970, o psicólogo britânico Alan Baddeley, mundialmente conhecido pelos seus estudos da memória, realizou com seus colegas diversos estudos com um elenco curioso.

No seu experimento mais conhecido, ele pediu a uma equipe universitária de mergulho que memorizasse listas de palavras em dois ambientes distintos: embaixo d’água e em terra firme. Depois, ele avaliou a capacidade dos participantes de recordar aquelas palavras, tanto no mesmo ambiente de aprendizado quanto no outro.

O resultado foi claro. Os que aprenderam e recordaram no mesmo lugar (água-água ou terra-terra) atingiram melhores resultados.

E, com o passar do tempo, diversos outros estudos confirmaram que o contexto e o próprio estado de espírito desempenham papel fundamental nas funções da memória.

Homem faz um gesto de quem esqueceu alguma coisa enquanto dirige um carro

Getty Images
Mudanças de cenário costumam nos levar a esquecer informações, mais do que o tempo e a distância

Mudança de cena: surge o esquecimento

Em outras palavras, a memória é como uma atriz de teatro, que interpreta especialmente bem seu papel se a decoração, o vestuário e a própria iluminação forem os mesmos dos ensaios.

Mas, se ela não tiver estudado bem o roteiro, irá sucumbir a uma mudança de cena que inclua atravessar uma porta.

A denominação “efeito porta” foi empregada pela primeira vez em 2011, mas o fenômeno começou a ser estudado em 2006.

Nesse primeiro estudo, a equipe de pesquisa solicitou aos participantes que memorizassem objetos presentes em um espaço virtual e se movimentassem em seguida (virtualmente) para outra sala.

Eles descobriram que, no exato momento de atravessar a porta, a capacidade de recordar aqueles objetos diminuía significativamente.

Diversas pesquisas posteriores reforçaram que se trata de um princípio geral de atualização da memória. Além disso, ficou demonstrado que a queda de rendimento não se devia à distância percorrida, nem à passagem do tempo, mas ao simples fato de mudar de “cena”.

Estes resultados sustentam a ideia do “modelo de horizonte de eventos“. Modificando-se o contexto, as informações associadas são segmentadas e se tornam menos acessíveis.

E o esquecimento ocorre até mesmo quando simplesmente imaginamos que estamos cruzando uma porta.

O ato final que revela a trama

Como demonstramos ao longo deste artigo, não é a porta em si que apaga nossa memória, mas a mudança de cenário. O cérebro interpreta que um novo ato está começando e desvincula parcialmente as informações do ato anterior.

Nesta linha de pensamento, diversos estudos recentes, utilizando realidade virtual, também confirmaram que o importante é a transição entre os ambientes, não o fato de atravessar a porta.

Uma das principais razões desses lapsos parece ser a atividade multitarefa. Quando realizamos várias ações de uma vez, o cérebro divide sua atenção como pode e alguma informação fica nos “camarins”.

Nossa capacidade cognitiva é limitada e, quando o contexto se altera, as tarefas que não têm prioridade podem se desvanecer.

Quebra-cabeças do cérebro faltando uma peça

Getty Images
Estudos garantem que os esquecimentos cotidianos não indicam grave deterioração da memória

Fim de espetáculo sem a demência como protagonista

Felizmente, estes esquecimentos cotidianos não indicam grave deterioração da memória.

Já foi comprovado que eles afetam igualmente jovens e idosos, o que sugere ser um efeito secundário de como a nossa mente organiza as experiências, não um sinal de alarme frente a uma possível demência.

Neste sentido, Nietzsche (1844-1900) escreveu que “o esquecimento é uma faculdade positiva no sentido mais restrito, um guardião, uma garantia da ordem e da calma”.

Ou seja, se não tivéssemos a capacidade de esquecer, as recordações nos sobrecarregariam e não teríamos espaço para a ação.

De fato, o “efeito porta” tem seu lado positivo. Mudar de quarto ou de casa, por exemplo, nos ajuda a recordar melhor as novas informações.

Quando modificamos as chaves contextuais, a localização se atualiza, gerando menos interferências com as tarefas anteriores. Com isso, o cérebro aproveita o novo ambiente para aprender com mais clareza.

Existe também a possibilidade de “termos um branco” sem mudar de cena, quando encontramos uma pessoa especial e profundamente querida em um lugar inesperado e demoramos para reconhecê-la.

Isso ocorre porque o cérebro precisa procurar pistas do cenário habitual para que aquilo faça sentido.

Mas esta situação também não indica déficit cognitivo. Na verdade, a mente e o coração estão se reconstruindo, frente a uma bela e extraordinária nuvem de recordações.

Por Correio Braziliense

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Você chega à cozinha com uma ideia clara na cabeça. Mas, ao cruzar a porta, algo se dilui e você não lembra o que veio fazer.

Você fica, então, alguns segundos em frente à geladeira, como se o frio pudesse refrescar a intenção que se perdeu com a mudança de ambiente.

A psicologia cognitiva estudou este fenômeno e ele é conhecido como “efeito porta” (doorway effect ou location updating effect, em inglês). Basta atravessar uma porta para que o cérebro interprete que uma função terminou e outra começou.

Isso ocorre porque nossa memória semântica (que usamos para recordar conceitos) funciona melhor quando está associada à memória episódica (que empregamos para recordar lugares). E esta última está vinculada a chaves contextuais.

Por isso, quando voltamos ao contexto original (sempre dissimulando um pouco, se houver alguém presente), costumamos recuperar as informações perdidas.

Essa farsa efêmera bem que poderia ser representada em um teatro, como o simbólico e carnavalesco Grande Teatro Falla de Cádiz, na Espanha, em frente ao qual escrevo estas palavras.

Mão com um dos dedos cheio de laços de fio vermelho para relembrar coisas

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Estudos revelaram que as pessoas que aprendem em um mesmo ambiente costumam esquecer menos

Abrem-se as cortinas e surgem pessoas em trajes de mergulho

No final da década de 1970, o psicólogo britânico Alan Baddeley, mundialmente conhecido pelos seus estudos da memória, realizou com seus colegas diversos estudos com um elenco curioso.

No seu experimento mais conhecido, ele pediu a uma equipe universitária de mergulho que memorizasse listas de palavras em dois ambientes distintos: embaixo d’água e em terra firme. Depois, ele avaliou a capacidade dos participantes de recordar aquelas palavras, tanto no mesmo ambiente de aprendizado quanto no outro.

O resultado foi claro. Os que aprenderam e recordaram no mesmo lugar (água-água ou terra-terra) atingiram melhores resultados.

E, com o passar do tempo, diversos outros estudos confirmaram que o contexto e o próprio estado de espírito desempenham papel fundamental nas funções da memória.

Homem faz um gesto de quem esqueceu alguma coisa enquanto dirige um carro

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Mudanças de cenário costumam nos levar a esquecer informações, mais do que o tempo e a distância

Mudança de cena: surge o esquecimento

Em outras palavras, a memória é como uma atriz de teatro, que interpreta especialmente bem seu papel se a decoração, o vestuário e a própria iluminação forem os mesmos dos ensaios.

Mas, se ela não tiver estudado bem o roteiro, irá sucumbir a uma mudança de cena que inclua atravessar uma porta.

A denominação “efeito porta” foi empregada pela primeira vez em 2011, mas o fenômeno começou a ser estudado em 2006.

Nesse primeiro estudo, a equipe de pesquisa solicitou aos participantes que memorizassem objetos presentes em um espaço virtual e se movimentassem em seguida (virtualmente) para outra sala.

Eles descobriram que, no exato momento de atravessar a porta, a capacidade de recordar aqueles objetos diminuía significativamente.

Diversas pesquisas posteriores reforçaram que se trata de um princípio geral de atualização da memória. Além disso, ficou demonstrado que a queda de rendimento não se devia à distância percorrida, nem à passagem do tempo, mas ao simples fato de mudar de “cena”.

Estes resultados sustentam a ideia do “modelo de horizonte de eventos“. Modificando-se o contexto, as informações associadas são segmentadas e se tornam menos acessíveis.

E o esquecimento ocorre até mesmo quando simplesmente imaginamos que estamos cruzando uma porta.

O ato final que revela a trama

Como demonstramos ao longo deste artigo, não é a porta em si que apaga nossa memória, mas a mudança de cenário. O cérebro interpreta que um novo ato está começando e desvincula parcialmente as informações do ato anterior.

Nesta linha de pensamento, diversos estudos recentes, utilizando realidade virtual, também confirmaram que o importante é a transição entre os ambientes, não o fato de atravessar a porta.

Uma das principais razões desses lapsos parece ser a atividade multitarefa. Quando realizamos várias ações de uma vez, o cérebro divide sua atenção como pode e alguma informação fica nos “camarins”.

Nossa capacidade cognitiva é limitada e, quando o contexto se altera, as tarefas que não têm prioridade podem se desvanecer.

Quebra-cabeças do cérebro faltando uma peça

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Estudos garantem que os esquecimentos cotidianos não indicam grave deterioração da memória

Fim de espetáculo sem a demência como protagonista

Felizmente, estes esquecimentos cotidianos não indicam grave deterioração da memória.

Já foi comprovado que eles afetam igualmente jovens e idosos, o que sugere ser um efeito secundário de como a nossa mente organiza as experiências, não um sinal de alarme frente a uma possível demência.

Neste sentido, Nietzsche (1844-1900) escreveu que “o esquecimento é uma faculdade positiva no sentido mais restrito, um guardião, uma garantia da ordem e da calma”.

Ou seja, se não tivéssemos a capacidade de esquecer, as recordações nos sobrecarregariam e não teríamos espaço para a ação.

De fato, o “efeito porta” tem seu lado positivo. Mudar de quarto ou de casa, por exemplo, nos ajuda a recordar melhor as novas informações.

Quando modificamos as chaves contextuais, a localização se atualiza, gerando menos interferências com as tarefas anteriores. Com isso, o cérebro aproveita o novo ambiente para aprender com mais clareza.

Existe também a possibilidade de “termos um branco” sem mudar de cena, quando encontramos uma pessoa especial e profundamente querida em um lugar inesperado e demoramos para reconhecê-la.

Isso ocorre porque o cérebro precisa procurar pistas do cenário habitual para que aquilo faça sentido.

Mas esta situação também não indica déficit cognitivo. Na verdade, a mente e o coração estão se reconstruindo, frente a uma bela e extraordinária nuvem de recordações.

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