Uma equipe de astrônomos acaba de anunciar a descoberta do que parece ser o buraco negro mais massivo já detectado na história. Estima-se que ele seja 36 bilhões de vezes mais pesado que o Sol e quase 10 mil vezes mais pesado do que o buraco negro presente no centro da Via Láctea. Isso coloca o gigante cósmico próximo do limite teórico máximo do que é possível no Universo.
O objeto celeste foi identificado na Ferradura Cósmica, uma das galáxias mais massivas já observadas. Ela é tão grande que distorce o tecido do espaço-tempo e deforma a luz que passa de uma galáxia de fundo em um gigante anel de Einstein em forma de ferradura – daí o nome.
A iniciativa teve como líder o brasileiro Carlos Melo, que é doutorando na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os resultados encontrados por ele e parceiros renderam a produção de um artigo científico, aceito para publicação no prestigiado Monthly Notices of the Royal Astronomical Society nesta quinta-feira (7).
“Esta descoberta foi feita para um buraco negro ‘dormente’, ou seja, que não está acumulando matéria de forma ativa no momento da observação”, explica Melo, em comunicado à imprensa. “Mesmo assim, conseguimos detectá-lo com base apenas em sua força gravitacional e nos efeitos que ela causa ao redor”.
Método de detecção mais preciso
A equipe utilizou um método inovador que combina lentes gravitacionais com cinemática estelar (ramo de estudo voltado ao movimento das estrelas dentro das galáxias) para medir com precisão a massa do buraco negro. Isso mesmo a uma distância de 5 bilhões de anos-luz da Terra.
Tradicionalmente, medir a massa de buracos negros tão distantes é um enorme desafio. Ele é especialmente difícil quando as formações não estão “ativas” e, portanto, não emitem grandes quantidades de radiação ao acumular matéria. A nova técnica permitiu romper essa barreira.
“Detectamos o efeito do buraco negro de duas maneiras: ele desvia a luz das galáxias atrás dele e faz com que as estrelas ao seu redor se movam a velocidades extremas, cerca de 400 km por segundo”, detalha Thomas Collett, colaborador do estudo e professor na Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. “Ao combinar essas observações, temos uma medição robusta da massa”.
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Implicações para a astronomia
A descoberta pode mudar o entendimento dos cientistas sobre como os buracos negros supermassivos se formam e evoluem. O mesmo também pode ser dito a respeito de como se dá a sua relação com as galáxias e onde eles estão inseridos.
Na Via Láctea, por exemplo, o buraco negro central possui “apenas” cerca de 4 milhões de massas solares. Isso significa que ele é 10 mil vezes menor do que o encontrado na Ferradura Cósmica. A nova descoberta levanta questões sobre o crescimento desses objetos ao longo do tempo cósmico.
Para além disso, a galáxia hospedeira do buraco negro detectado é classificada como um grupo fóssil – uma estrutura que representa o estágio final da fusão de galáxias dentro de um aglomerado. Acredita-se que, nesse processo, os buracos negros centrais das galáxias que colidiram também tenham se fundido, dando origem a um buraco negro ultra massivo.
De agora em diante, a ideia é que a técnica desenvolvida pela equipe agora seja aplicada em outros sistemas usando os dados do telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA). Seu objetivo é encontrar mais buracos negros gigantescos e, a partir desse ponto, entender melhor papel desses corpos antigos na evolução galáctica.
Por: Revista Galileu