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“Achei que não sairia viva”: sobreviventes relatam violência doméstica e destacam importância do acolhimento no Acre. VÍDEO

Mais de 4,4 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica no Acre em 2024, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Anne Nascimento por Anne Nascimento
31/08/2025 - 14:00
Foto: Kauã Lucas

Foto: Kauã Lucas

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“Conheci um caminhoneiro onde eu trabalhava e, entre dois ou três meses de casamento, abandonei tudo: minha família, minha mãe, minhas irmãs. Fui morar dentro de um caminhão por quatro anos”. Este é o relato de Patrícia* ao recordar o início de um relacionamento que se transformaria em um pesadelo. A história dela é semelhante a de 4.440 mulheres vítimas de violência doméstica em 2024 no Acre, segundo dados divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Patrícia, além da distância física da família, teve de enfrentar violências domésticas, psicólogicas e emocionais. “Ele fazia questão de que eu não me achasse bonita. Falava do meu cabelo, das minhas roupas, dos brincos que eu usava. Eu não percebia que era um relacionamento abusivo, achava que ele só queria mudar minhas vestes, mas era para me controlar, me destruir”.

Não bastasse todo o sofrimento ocasionado por um relacionamento tóxico e abusivo, Patrícia descobriu que teria de conviver com uma doença que ainda enfrenta muitos estigmas: ela havia sido infectada pelo vírus HIV ao ter  relações com o parceiro. O agressor sabia que convivia com a doença e não a informou.

“Eu queria morrer, queria pular daquele caminhão e me jogar da ponte. Eu achei que não sairia viva dessa situação”, lembra. “Foi quando eu entendi que a dependência emocional é pior que a financeira. Eu fechava meus olhos para tudo o que ele me fazia”.

“Achei que não sairia viva”: sobreviventes relatam violência doméstica e destacam importância do acolhimento no Acre. VÍDEO
Foto: Patrícia foi acolhida e conseguiu sair do relacionamento abusivo. Foto: Kauã Lucas

“No início, era perfeito”

Manuela* também é uma sobrevivente, e viveu uma situação semelhante em outro contexto. “No início, tudo parecia bem, mas depois começaram os ciúmes excessivos, o controle sobre cada passo meu. Eu não podia usar batom, perfume, nem trabalhar. Quando minha filha nasceu, eu já me sentia sufocada. O psicológico, as cicatrizes emocionais, ficaram para sempre”, desabafa.

As humilhações não acabavam. Segundo Manuela, era ela quem sustentava o marido, em Portugal, onde moravam. “Foi com o meu salário, lá, que sustentava a casa inteira. Quando viemos para o Brasil, a única coisa que ele colocou dentro de casa foi uma geladeira, e pagou apenas uma parte. Ele é um português, e tinha de voltar para o país de origem. Até isso eu fiz: eu que comprei a passagem para ele ir embora, e foi quando eu consegui me livrar”.

Manuela conta que o ex-marido era tão cruel que, apesar de aparentar ter ciúmes, ainda a diminuía. Quando moravam em Portugal, ela trabalhava em um restaurante pequeno; por ser uma mulher que, à época, era obesa, Manuela era proibida até de trabalhar nestes lugares. “Ele dizia que, por ser obesa e pelo espaço ser estreito, eu vivia me “roçando” em outros homens”, explicou, acrescentando ainda que mal mantinha relação com os familiares. “Eu não conseguia sequer pensar por mim”.

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Hoje, divorciada e com uma medida protetiva, Manuela agradece o fato de o marido estar longe. “Hoje, ele mora em Portugal. Nossas filhas não querem contato com ele, mas eu digo a elas que elas precisam perdoar e ajudá-lo, é o pai delas”, explicou.

“Achei que não sairia viva”: sobreviventes relatam violência doméstica e destacam importância do acolhimento no Acre. VÍDEO
Manuela conseguiu medida protetiva contra o ex-marido. Foto: Kauã Lucas

Ciclo da violência

Segundo Luzivera Batista, psicóloga da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), a violência doméstica segue um padrão conhecido como ciclo da violência: “Temos três fases. A primeira é a fase da tensão, quando começam discussões e xingamentos, geralmente com violência psicológica. A segunda é a fase da explosão, quando acontecem agressões físicas. A terceira é a fase da ‘lua de mel’, quando o agressor pede perdão, promete que não vai repetir os atos e, em alguns casos, traz flores. Esse ciclo se repete até a vítima conseguir romper com a situação”, explica.

“Achei que não sairia viva”: sobreviventes relatam violência doméstica e destacam importância do acolhimento no Acre. VÍDEO
Luzivera Batista durante atendimento. Foto: Franklin Lima/Semulher

Isto, segundo a psicóloga, explica o motivo de a mulher seguir em um relacionamento mesmo vivenciando situações degradantes, já que o agressor não é agressivo o tempo todo.

“É uma pena quando se escuta que mulher gosta de apanhar. Nenhuma gosta. O que vemos é o machismo prevalecendo, e a violência se manifesta de forma física, psicológica, patrimonial e moral”, acrescenta Luzivera. Ela exemplifica a violência patrimonial: “Um agressor pode quebrar um celular que a mulher pagou por meses. Ele a mantém sob controle, impedindo-a de sair ou trabalhar. Isso pode ser uma violência patrimonial. Mas há muitas outras, que podem destruir com a vida de uma mulher”, explicou.

Dependência financeira

Segundo a assistente social da Semulher Mircleide Mota, há um problema corriqueiro, que faz com que as mulheres permaneçam em um relacionamento violento: a dependência financeira. “Muitas são dependentes financeiras dos companheiros e têm medo da separação. Aqui [na Semulher], conversamos, observamos a situação familiar e socioeconômica, e fazemos encaminhamentos para instituições como o Cras [Centro de Referência em Assistência Social], Casa Rosa Mulher ou abrigo Mãe da Mata. Quando vemos que a situação da mulher melhora, que ela sai daqui sorrindo, agradecendo, sentimos que nosso trabalho valeu a pena”.

Por conta disso, atualmente, a pasta oferta qualificações para as mulheres que ainda não têm uma profissão para que elas consigam se sustentar. “Ofertamos cursos de culinária, corte e costura, costumização de roupas. O que queremos é tirar a mulher do contexto de violência”.

Até agosto de 2025,  mais de 5 mil mulheres passaram pela pasta, seja por meio dos cursos profissionalizantes ou por acolhimento, na tentativa de sair do contexto da violência. O objetivo da Semulher é atuar de forma contínua, seja por programas e projetos instiuídos ou por intensificação dos serviço, como o Bloco do Respeito, no Carnaval; o Mês da Mulher, com ações ao longo de todo o março, a Quinzena da Mulher Negra, o Agosto Lilás, e os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher.

“Achei que não sairia viva”: sobreviventes relatam violência doméstica e destacam importância do acolhimento no Acre. VÍDEO
Secretaria aposta em campanhas na tentativa de erradicar a violência de gênero. Foto: Diego Gurgel/Secom

De acordo com a secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa Pereira, apesar de ainda ter muito a se fazer quando se fala em violência contra a mulher no Estado, a cada dia, o Acre dá mais um passo. “Temos caminhado para mais perto da realidade que desejamos, em que as taxas do feminicídio sejam zeradas. Os números mostram que o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres tem efeito direto na proteção de vidas. Continuaremos firmes para que esse crime deixe de existir”, destacou.

Ainda segundo Márdhia, a Semulher oferece atendimento multidisciplinar, com psicólogas, assistentes sociais e assessoria jurídica. “Nosso objetivo é oferecer escuta qualificada, direcionamentos para outras instituições quando necessário, e acompanhamento que pode chegar a seis sessões, nos casos mais graves. É uma oportunidade de reconstrução e de começar uma nova vida”.

Qualificação para todas

A autonomia financeira feminina é um dos pilares da Secretaria da Mulher e, para tal, já foram investidos, desde o início da gestão, mais de R$ 500 mil em cursos profissionalizantes oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), por meio do programa Impacta Mulher.

“Achei que não sairia viva”: sobreviventes relatam violência doméstica e destacam importância do acolhimento no Acre. VÍDEO
Concludentes do Impacta Mulher em Rodrigues Alves. Foto: Andrey Maia/Semulher

O projeto começou em 2023 e já percorreu todos os municípios do Estado, alcançando – apenas em qualificações – mais de 800 mulheres em situação de vulnerabilidade, com cursos como corte de cabelo, preparo de bolos, pizzas e hambúrgueres e customização de roupas e sandálias, com foco na geração de renda e empreendedorismo.

Este é um objetivo do governador do Acre, Gladson Camelí, que acredita haver uma necessidade em dedicar atenção para implementação de ações que acabem com a violência de gênero. “E que terminem definitivamente com o feminicídio e todo e qualquer tipo de discriminação contra as mulheres do nosso estado. Entendo que o feminicídio deve ser combatido com todas as armas”, destaca.

Violência em números

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que as tentativas de homicídio contra mulheres no Acre, tiveram aumento significativo, passando de 63 casos em 2023 para 88 em 2024, o que representa uma alta de quase 40%. Isso significa que, em 2024, a cada 100 mil mulheres, 20,1 sofreram alguma tentativa de assassinato, ante 14,4 em 2023.

Em 2025, os números também são alarmantes: de acordo com o Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público do Acre (MPAC), 3.544 crimes desta natureza foram praticados apenas nos primeiros sete meses de 2025. Quando se fala de feminicídios, os dados também assustam: foram sete mulheres mortas, duas apenas em agosto.

De 13 mulheres vítimas de mortes violentas intencionais em 2024, oito foram assassinadas por motivo de gênero — uma redução em relação a 2023, quando 10 das 15 mulheres vítimas de homicídio morreram pelo mesmo motivo, segundo dados do MPAC.

Além disso, ainda nos primeiros sete meses do ano,  o Acre registrou 1.258 denúncias de violência contra a mulher no Ligue 180. O dado é o terceiro maior da região Norte em termos absolutos, perdendo apenas para o Pará (1.655) e Amazonas (1.571). Proporcionalmente, no entanto,  o estado lidera com folga o ranking regional, com mais de 300 denúncias por grupo de 100 mil mulheres – para se ter ideia, no Amazonas esse índice é de menos de 80.

Outros números, divulgados pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) no começo de agosto, assustam: mais de 30% das mulheres acreanas já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por homens. Os dados são de pesquisa realizada pelo Instituto DataSenado e divulgada nessa quarta-feira, 6, pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).

O levantamento afirma também que 25% dessas vítimas relataram ter sofrido agressões nos últimos 12 meses. As formas de violência mais citadas foram psicológica, física e moral.

A quantidade de chamadas ao número de emergência 190 por violência doméstica também cresceu no Estado em 2024. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou 19.603 chamadas com essa natureza no último ano, frente a 17.284 em 2023, uma alta de 12,9%. O aumento preocupa, especialmente porque o total de ligações ao 190, considerando todos os tipos de ocorrência, subiu apenas 1,5% no mesmo período.

Liberdade

Patrícia conseguiu romper o ciclo da violência. “Eu denunciei, me libertei do controle dele, comecei meu tratamento [para o vírus HIV], respirei de novo. Hoje, com apoio da minha mãe e das minhas irmãs, estou reconstruindo minha vida”, diz, acrescentando ainda estar vivendo um dos momentos mais bonitos da sua vida: o nascimento do filho, hoje com três meses, e negativado para a doença. “Vivo em carga indetectável, com uma vida normal, inclusive, com um bebê que é a razão da minha vida e casada com uma pessoa que me ama”, fala, emocionada.

Manuela, por sua vez, lembra da importância da família e do suporte psicológico. “Minha irmã deu um basta quando eu não conseguia. Ela dormia com uma faca de carne embaixo do travesseiro, caso ele tentasse algo. Eu percebi que não estava sozinha, e que podia me libertar do medo”, conta.

No Brasil, quatro mulheres morrem por dia apenas por serem mulheres, segundo dados do Mapa da Violência 2025. Mesmo diante de tanto sofrimento, Patrícia e Manuela mostram que é possível romper o ciclo da violência e reconstruir a própria vida. São histórias que revelam que a coragem de denunciar, somada ao apoio da família, de amigos e de políticas públicas, pode transformar dor em força e medo em liberdade.

“Hoje eu respiro sem medo, vivo pelo meu filho e por mim mesma. Descobri que sobreviver não é apenas existir, é viver de verdade, e que cada passo rumo à liberdade vale cada lágrima do passado”, afirma Patrícia.

Em cada mulher que se liberta, há um grito de resistência lembrando que, apesar das estatísticas e das dificuldades, a esperança e a reconstrução são possíveis. Fato que comprova isto é, justamente, a arte: Milton Nascimento, afinal de contas, resumiu todas as mulheres – em todas as suas particularidades – em uma só, Maria. E essa Maria – que na verdade, somos todas nós – é um dom, uma certa magia. Ela, inclusive, relembra que é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre. Com isso, há a certeza que sempre haverá essa estranha mania de ter fé na vida.

Se você sofre ou conhece alguém que sofre violência doméstica, denuncie. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em situação de emergência, acione o 190.

Veja o vídeo:

 

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Uma publicação compartilhada por A Gazeta do Acre (@agazetadoacre)

* Nomes fictícios para resguardar a identidade das vítimas

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