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‘Vagner no comando do MDB é a concretização de um desejo de Flaviano’, afirma deputada Antônia Sales

'Vagner no comando do MDB é a concretização de um desejo de Flaviano', afirma deputada Antônia Sales

Foto: Leandro Chaves

O MDB reconduzirá o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales, à presidência do partido no Acre nesta sexta-feira, 29, por aclamação. Seu então adversário, o deputado estadual Tanízio Sá, retirou o nome da disputa, aos 45 do segundo tempo, prezando pela unidade do partido. Ele irá compor a chapa única.

Sua colega de parlamento, a deputada Antônia Sales, esposa de Vagner, contou, em entrevista À GAZETA, detalhes dessa movimentação. Na conversa, ela afirma que o marido no comando do partido era um desejo do ex-governador e ex-presidente estadual do MDB, Flaviano Melo, que morreu no final do ano passado.

Além disso, a parlamentar fala sobre os planos da filha, a ex-deputada federal Jéssica Sales, para as eleições de 2026. Cotada para o Senado, a médica também vem sendo ventilada como provável integrante da chapa do senador Alan Rick para o governo. “Vai ser candidata sim, mas ainda não sabe a que”, diz Antônia.

Confira a entrevista:

A Gazeta – O deputado Tanízio Sá desistiu da disputa pelo comando do MDB e o ex-deputado Vagner Salles será aclamado presidente. O que a senhora pensa a respeito dessa movimentação?

Antônia Sales – O MDB é isso. Nós temos tendências dentro do nosso partido. E como a legenda é democrática, ela permite a participação de todos nesse tipo de processo. Quando o Tanízio decidiu concorrer à presidência, o Vagner aceitou. Por que não? Mas aí, no final de tudo, o consenso prevaleceu e a gente se uniu para manter o partido forte. O próprio Tanízio me mandou mensagem, dizendo que optou por fazer a composição e isso deixou todo mundo feliz, porque, tendo a disputa, um dos dois lados ia acabar desgostoso.

'Vagner no comando do MDB é a concretização de um desejo de Flaviano', afirma deputada Antônia Sales
Foto: Leandro Chaves

Qual será a função dele nessa chapa única?

Acredito que seja a terceira vice-presidência. Mas, em compensação, entrarão outros membros que ele gostaria de ver no diretório. Todos os pedidos dele serão contemplados e o partido vai ganhar uma nova força.

O Vagner Sales é um membro antigo do partido. Dedicou toda a sua vida política em prol do MDB. A senhora, então, acha justo ter chegado a vez dele de comandar esse projeto?

Na verdade, a escolha do Vagner para o comando do MDB é a concretização de um desejo do nosso ex-comandante, o saudoso Flaviano Melo. Quando Flaviano adoeceu, ele chamou o Vagner para sucedê-lo. Dizia que já não aguentava percorrer os municípios, como ele gostava de fazer. Aí o Vagner dizia que não, que ninguém iria substituir o Flaviano enquanto ele estivesse no nosso meio. Era questão de honra ter o Flaviano sempre como presidente.

Flaviano era muito querido e respeitado no MDB, certo?

Ele era nosso ícone, a pessoa que a gente admirava. Ele tinha a cara do MDB. Ele era o MDB, por toda sua história no nosso partido. Então se a gente tivesse que levar ele nos ombros, a gente levaria. Ele estava acima de todos. Antes de ele viajar, ele falou com o Vagner novamente. Aí, quando Flaviano faleceu, o Vagner ficou mais flexível quanto a aceitar comandar o MDB para dar seguimento ao trabalho do nosso ex-líder.

'Vagner no comando do MDB é a concretização de um desejo de Flaviano', afirma deputada Antônia Sales
Ex-gpvernador e ex-presidente do MDB, Flaviano Melo, é lembrado por Antônia Sales como a grande liderança do partido: “estava acima de todos”. (Foto: Reprodução)

A sua filha, a ex-deputada Jéssica Sales, tem pedido orientações à senhora sobre 2026? Há dúvidas sobre se ela irá disputar a Câmara, o Senado ou uma composição para o governo…

Ela ainda não escolheu. A Jéssica é assim: quando ela entra em algum projeto, ela vai além do seu limite. Todo mundo viu o trabalho dela como deputada federal. Ela se sobressaiu. E o sonho dela, para o terceiro mandato, era ser senadora. Mas, infelizmente, foi acometida pelo câncer e a médica dela aconselhou que não fosse mais candidata ao Senado, porque teria que percorrer todo o Acre. Ela estava muito fragilizada. Então, optou pela candidatura à Câmara Federal, foi a quarta mais votada, mas não assumiu [devido o quociente eleitoral].

E a gente sabe como foi mercantilizada essa eleição, né? Isso não é segredo para nenhum de nós. Todo mundo concorda que não teve freio. As ruas viraram um mercado de comercialização de consciências, digamos assim. Então, minha filha findou perdendo, porque ela não atingiu o percentual. Sobre 2026, ela está indecisa. Vai ser candidata sim, mas ainda não sabe a que.

Há possibilidade de uma composição para o governo tendo a Jéssica na chapa?

Nós estamos ouvindo todos os partidos. O MDB quer fazer parte da eleição majoritária também. No caso, se a Jéssica escolhe ser senadora, ela está sendo convidada a isso também. Tem gente falando que a queria como vice, mas aí a Jéssica ainda não decidiu, e nós estamos deixando ela decidir. Somos pais que não obrigamos os filhos. Ela decide e a gente apoia.

E o conselho de mãe para filha, qual seria?

Meu conselho é que ela escute seu o coração e se deixe levar pelo que o coração diz. Sou uma pessoa de princípios religiosos. Então, a voz da consciência é o nosso melhor amigo. Porque aí é onde Deus se comunica com a gente. Então, que ela siga seu coração. Quando tem que ser, Deus vai ajeitar as fichas todinha no tabuleiro para que você vença e realize seus desejos.

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