Ainda que seja o segundo tipo de câncer mais comum entre homens no país, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), tumores na próstata não são os únicos dignos de cuidado no campo da saúde masculina, segundo alerta especialista. Menos frequentes, mas igualmente perigosos, diagnósticos tanto no pênis quanto nos testículos podem ser diretamente impactados pela desinformação.
No que resta do triênio 2023-2025, segundo o INCA, o Brasil deve ter 71.730 mil novos casos de câncer de próstata. O dado corresponde a um risco estimado de 67,86 casos, em média, para cada 100 mil homens. Apesar da diferença, é justamente a pouca frequência dos diagnósticos de câncer no pênis e nos testículos a responsável por boa parte dos riscos.
Ao Correio, Márcio Almeida, oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), explica que as confirmações de casos de câncer no pênis representam menos de 2% dos tumores masculinos. Nos testículos, são raros. No entanto, o primeiro tem alto impacto “social e emocional”. O segundo é o mais comum entre homens jovens de 15 a 40 anos.
“Apesar da menor incidência, ambos merecem destaque pois afetam homens em fase produtiva e sexualmente ativa. Além disso, podem evoluir rapidamente se não tratados. Os dois tipos de cânceres ainda sofrem muita desinformação, vergonha e estigma, o que atrasa o diagnóstico”, explicita.
Como fazer para identificar possíveis sinais de câncer?
Para câncer de pênis, os sintomas mais comuns são:
- Feridas que não cicatrizam;
- Verrugas, nódulos ou áreas endurecidas;
- Secreção com odor;
- Vermelhidão persistente ou alterações na pele da glande;
- Dor ao urinar (menos frequente).
Para câncer de testículo, os mais incidentes são:
- Aumento do volume de um testículo;
- Caroço endurecido, geralmente indolor;
- Sensação de peso escrotal;
- Dor leve que persiste por dias;
- Alterações no formato ou consistência.
Outros sinais gerais também são dignos de atenção, como perda de peso não intencional; febre baixa persistente e fadiga. Qualquer alteração persistente já é o suficiente para uma avaliação médica imediata, mesmo que não haja dor.
Importância do diagnóstico precoce e impactos psicológicos
Almeida explica que identificar o câncer ainda em estágio inicial é fundamental para o aumento das chances de cura. No caso dos testículos, as taxas de cura ultrapassam 95%. Em relação ao pênis, detectar lesões iniciais evita cirurgias mutiladoras (amputações parciais, por exemplo), e ainda preserva a função sexual. Assim, é possível reduzir necessidade de quimioterapia ou radioterapia, e ainda manter qualidade de vida, autoestima e fertilidade.
Diferentes questões psicológicas, todavia, impedem os pacientes de alcançar a cura com maior facilidade. Sentimentos como medo, vergonha e estigma são frequentes. “A sensação de ‘perda da masculinidade’ pode afetar diretamente a autoestima e ainda estremecer relacionamentos”, explicou o especialista. “Por isso, o acompanhamento psicológico é parte essencial do tratamento. Quando bem orientado, o paciente entende que o tratamento salva vidas e que a sexualidade é multifacetada, não limitada a um órgão”, completou.
O que fazer para me prevenir?
Para câncer de pênis, Márcio Almeida ressalta que a higiene íntima feita de forma adequada (especialmente para quem não é circuncidado) já é um grande adianto na prevenção. No entanto, também existem as seguintes alternativas:
- Vacinação contra HPV;
- Evitar tabaco (associado a maior risco);
- Tratar fimose quando necessário;
- Uso de preservativo.
ara o câncer de testículo, as medidas de cuidado são:
- Autoexame testicular mensal — feito após o banho, quando a bolsa escrotal está relaxada;
- Atenção a nódulos indolores;
- Buscar avaliação médica rápida em qualquer alteração.
De forma geral, também é importante que seja mantida uma vida sexual ativa e responsável; exames preventivos adequados à idade; estímulos a campanhas como o Novembro Azul, para ampliar a conscientização sobre o tema; e, principalmente, romper tabus, com conversas e perguntas sobre o assunto, além de consultas.
Por Correio Braziliense