Há anos que antropólogos buscam reconstruir o mapa do tempo da história humana. E, com cada descoberta, um novo pedaço do quebra-cabeça é descoberto. No entanto, nem toda novidade é sobre como nossos antepassados se ajudavam e apoiavam-se um no outro. Muito pelo contrário.
Em um estudo publicado no último dia 19 no jornal científico Nature Scientific Reports, cientistas pintam um retrato nada agradável de nossos “primos ancestrais”: supostamente foram encontrados em uma caverna de Goyet, na Bélgica, restos mortais de seis mulheres e crianças que teriam sido mortas, desmembradas e canibalizadas por outros neandertais cerca de 45 mil anos atrás.
No entanto, as tendências canibalísticas de nossos parentes ancestrais não são tão incomuns. Há anos que pesquisadores vêm encontrando evidências da prática em diversas regiões e em épocas completamente diferentes. Teorias vão desde simples subsistência até rituais, mas o estado frágil das evidências dificultam o estudo.
O cenário, agora, parece ter mudado: os restos mortais encontrados na caverna belga são alguns dos melhores já vistos. Uma equipe de pesquisadores liderados por Quentin Cosnefroy, antropólogo, biologista da Universidade de Bordeaux, na França, realizou análises genéticas e investigações forenses nos ossos encontrados em Goyet.
Com o resultado das análises, eles concluíram que os restos mortais vieram de neandertais de uma região completamente diferente de onde eles foram encontrados. Além disso, a investigação forense mostrou marcas que comprovam o assassinato e desmembramento: cortes e entalhes nos ossos são evidências de que a carne foi utilizada para nutrição.






