Suspeito de ter assassinado duas colegas de trabalho no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e depois se matado, João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves entrou há quatro meses com uma ação judicial contra a União pedindo indenização por assédio moral no trabalho. Na última terça-feira, a Justiça Federal encerrou o processo sem julgar o mérito por entender que o Cefet tem autonomia administrativa e a União não deveria fazer parte da ação.
Segundo a decisão, João Antônio disse ser servidor desde 2014 e há três anos foi transferido de setor contra sua vontade. Ele alegou que no novo setor “passou a ser vítima de retaliação administrativa, por meio do esvaziamento de suas atribuições, exclusão de espaços de decisão e isolamento progressivo no ambiente de trabalho, situação que culminou no comprometimento de sua saúde mental”.
O homem ainda foi suspenso cautelarmente por 120 dias de suas funções e, ao voltar ao posto, foi enviado para um terceiro departamento.
“Laudos e atestados médicos incontestáveis que indicam o agravamento de seu quadro de saúde em decorrência direta do ambiente laboral ao qual está atualmente submetido, sendo seu retorno à DIREN (Diretoria de Ensino) ou sua remoção para a DIAPE/DEMET (Divisão de Apoio Pedagógico) não apenas medida recomendável, mas necessária e urgente para evitar o comprometimento irreversível de sua saúde mental”, alegou a defesa do homem na ação.
Quem eram as vítimas
Duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca, no Maracanã, na Zona Norte do Rio, nesta sexta-feira (28), morreram após terem sido baleadas na cabeça por um colega, que depois do ataque se matou no local. A professora Allane de Souza Pedrotti Matos e a psicóloga Layse Costa Pinheiro chegaram a ser levadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, mas não resistiram.
Allane, doutora em Letras e cantora
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Allane de Souza Pedrotti Matos era doutora em Letras pela PUC-RJ, com pesquisa na área de Linguística Aplicada, concluída em 2020. Parte do seu doutoramento foi na Dinamarca, na University of Copenhagen, onde desenvolveu pesquisa e ministrou disciplina para a graduação como professora convidada. A experiência foi financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2006, ela se especializou em Psicomotricidade, pela Universidade Cândido Mendes, em 2008. Já o mestrado, em Sistemas de Gestão, foi feito na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Atualmente, trabalhava como coordenadora da equipe pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino do CEFET/RJ na Coordenação de Educação Profissional e Tecnológica de Ensino Médio, atuando com assessoria pedagógica e acadêmica. Era também presidente da comissão geral de Permanência e Êxito e integrou, coordenou todas as comissões de estudo e implantação do Ensino Profissional Técnico de Nível Médio (EPTNM) na unidade Maracanã e demais comissões gestoras, além de ter sido membro da Comissão de Heteroidentificação (CHET).
Fora do universo acadêmico, Allane tinha uma vida ativa na música. Era cantora, compositora e pandeirista. Integrava o Grupo Quilombo Urbano, que surgiu no Renascença Clube, no Andaraí. Nas redes sociais, a também artista costumava compartilhar vídeos em cima do palco. Sua última públicação, nos Stories do Instagram, foi na manhã desta sexta-feira: “Uma ótima sexta, com essa poesia”, escreveu, sobre um vídeo em que cantava “Queixa”, de Caetano Veloso.

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