A Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, voltou a ocupar um dos postos mais críticos na destruição ambiental da Amazônia. Em 2024, a unidade perdeu 43,5 km² de floresta, volume que a coloca como a 3ª Unidade de Conservação (UCs) mais desmatada de toda a Amazônia Legal, segundo o relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro. O dado representa 10,2% de todo o desmatamento ocorrido dentro de UCs na região.
Apesar de Pará concentrar mais da metade das áreas protegidas devastadas — com APAs como Triunfo do Xingu e Tapajós, que ocupam o 1º e 2º lugar do ranking — o Acre permanece em evidência nacional por concentrar sua pressão em uma única unidade: a histórica RESEX criada para proteger seringueiros e garantir uso sustentável da floresta.
As UCs mais desmatadas da Amazônia
O ranking das dez áreas mais afetadas em 2024 mostra o peso da devastação concentrada em poucos territórios:
- APA Triunfo do Xingu (PA): 72,1 km²
- APA do Tapajós (PA): 55,8 km²
- RESEX Chico Mendes (AC): 43,5 km²
- APA do Lago de Tucuruí (PA): 19,1 km²
- APA do Arquipélago do Marajó (PA): 17,8 km²
- Flona do Jamaxim (PA): 17,7 km²
- APA Margem Direita do Rio Negro (AM): 12,2 km²
- RESEX Rio Preto-Jacundá (RO): 10,5 km²
- APA Baixada Maranhense (MA): 10,0 km²
- Floresta Estadual do Paru (PA): 9,5 km²
A Amazônia Legal registrou 426,2 km² de desmatamento dentro de áreas protegidas em 2024. O Pará responde por 56,8% do total, enquanto o Acre aparece com 10,2%, totalmente concentrados na RESEX Chico Mendes.
Por que a Resex Chico Mendes segue sob forte destruição?
Criada para garantir o extrativismo tradicional, a reserva sofre há anos com a chegada da fronteira agrícola, que avança de Mato Grosso para Rondônia e Acre. O relatório aponta três pressões principais:
- Grilagem e loteamentos ilegais, com abertura de áreas para posterior venda ou arrendamento;
- Expansão agropecuária, sobretudo para criação de gado;
- Conversão acelerada de floresta em pastagens, estimulada por invasores que tentam legitimar ocupações fraudulentas.
Acre também aparece em ranking de sobreposição ilegal
Além do desmatamento, o estado figura em outra lista preocupante: o número de imóveis rurais sobrepostos a Unidades de Conservação. O Acre aparece em 7º lugar, com 351 imóveis dentro de áreas protegidas, um indicativo da pressão fundiária e da fragilidade no controle territorial.
Os primeiros colocados são:
- Pará: 4.763 imóveis
- Amazonas: 2.144
- Maranhão: 1.587
- Rondônia: 1.152
- Mato Grosso: 1.073
- Roraima: 532






