Uma moradora de Maringá, no norte do Paraná, encontrou cerca de 300 escorpiões no quintal de casa em 12 dias. Os animais apareceram entre os dias 28 de outubro e 8 de novembro, no imóvel que fica na Vila Santo Antônio.
Todos foram capturados pela moradora Natalí Matsumoto, que conseguiu colocá-los em potes e contabilizá-los.
Um biólogo explicou que os animais são escorpiões-amarelos (Tityus serrulatus). Os bichos, que são peçonhentos, oferecem riscos aos humanos e são considerados os mais perigosos do Brasil entre os escorpiões. Para o biólogo, o clima quente, associado às chuvas, aumenta a atividade desses animais e faz com que eles acabem entrando nos imóveis em busca de proteção e alimento. O especialista também deu dicas de cuidados.
A moradora contou que, quando percebeu alguns escorpiões surgindo no fundo da casa, ela e o marido decidiram passar veneno no entorno no imóvel.
Durante a noite, a moradora notou que os animais passaram a sair de um vão em um muro que faz divisa com um sobrado vizinho.
“Ai ficamos a semana inteira até a meia noite ou até ver que parou, pegando eles e colocando nos potes. Ficamos de vigília pra eles não entrarem em casa. Quando cessavam, íamos dormir. No dia seguinte achamos vários mortos no chão “, contou.
A moradora contou que acionou, diversas vezes, equipes da prefeitura, como zoonoses e limpeza urbana. Eles vistoriaram toda a casa, mas não conseguiram encontrar o foco da proliferação dos escorpiões.
Na casa onde Natalí mora, também vivem o marido dela e os três filhos, sendo a mais nova com dois anos.
Depois capturar diversos escorpiões, a família decidiu fechar o vão com uma espuma expansiva, mas, mesmo assim, alguns animais continuaram aparecendo.
“Depois encontramos mais e parei de contar. A nossa parte de limpeza e cuidado está sendo feita. Enquanto isso eu fico aqui, recebendo essas visitas extremamente perigosas”, afirma Natalí.
Em nota, a Prefeitura de Maringá informou que a equipe de Zoonoses tem visitado rotineiramente o imóvel. Confira abaixo a nota na íntegra.
“A Secretaria de Saúde informa que realizou busca ativa em mais de 70 imóveis do bairro nos dias 17 e 18 deste mês. Além disso, rotineiramente as equipes de Zoonoses estão realizando vistorias no imóvel da Vila Santo Antônio. Há terrenos em situação de abandono no bairro que foram notificados e o município cobrou dos proprietários agilidade na limpeza. Caso não realizem a limpeza no prazo previsto em lei, haverá aplicação de multa e a Prefeitura realizará a limpeza, com a cobrança de taxas. A Prefeitura destaca que uma das principais medidas para prevenção de acidentes é a limpeza dos quintais, evitando acúmulo de entulhos e outros resíduos. Esses locais podem atrair insetos, como baratas, que são fonte de alimento dos escorpiões. A Secretaria de Saúde também orienta sobre a importância de manter as tomadas vedadas e os ralos, buracos e cestos de lixo sempre tampados. Os escorpiões e as aranhas podem se esconder em roupas e sapatos e, por isso, outra orientação é sacudir esses objetos antes de usá-los. A Secretaria orienta que, em caso de aparecimento de animais peçonhentos, a população entre em contato com a Ouvidoria da Saúde pelo telefone 160”, informou a nota.

O que pode causar a rápida infestação
Para Leandro Ranucci, coordenador de Biologia da Universidade Cesumar (Unicesumar), a presença de grande quantidade de escorpiões amarelos em um curto período de tempo sugere que exista um foco reprodutivo muito próximo da casa — seja em alguma área externa ou até em estruturas como galerias de esgoto, entulhos e locais úmidos.
Ranucci explica que o escorpião-amarelo tem uma grande capacidade de proliferação, pois se reproduz por partenogênese, ou seja, a fêmea não precisa de macho para gerar descendentes. Para o biólogo, isso explica a rapidez da infestação.
“O desenvolvimento dos filhotes dentro da mãe leva cerca de três meses e cada ciclo gestacional resulta entre 15 a 20 filhotes. Eles já nascem formados e permanecem sobre o dorso da mãe por cerca de uma semana até conseguirem se virar sozinhos. Uma fêmea pode ter de duas a três gestações anualmente. Dessa forma, podem ser gerados por uma única fêmea até 160 descendentes ao longo da vida. Além disso, o tempo para que esses filhotes atinjam a fase adulta é de aproximadamente 10 meses”, explica o especialista.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (Sesa-PR), de janeiro a setembro de 2025, foram registrados 1824 ataques de animais peçonhentos na 15ª Regional de Saúde de Maringá. Isso equivale a uma média de seis casos por dia.
Cuidados com escorpiões
Ao encontrar escorpiões, Ranucci orienta que alguns cuidados devem ser tomados. O especialista também explicou o que deve ser feito ou evitado em casos de picada.
O que deve ser feito ao encontrar um escorpião?
– Acionar a vigilância ambiental (controle de zoonoses) do município para avaliação do local, busca do foco e orientações específicas;
– Reduzir a oferta de abrigo removendo entulhos, madeiras, telhas, caixas, lixo e vegetação densa próxima à casa;
– Vedar acessos tapando frestas em portas, rodapés, ralos com tampa, buracos em paredes e pontos de entrada do esgoto;
– Manter quintal limpo e organizado, evitando acúmulo de materiais;
– Controlar baratas, já que são a principal fonte de alimento dos escorpiões;
– Usar EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) básicos, como luvas grossas e calçados fechados, ao mexer em caixas, roupas guardadas ou locais escuros;
– Verificar roupas, calçados, camas e toalhas antes do uso, especialmente à noite;
– Instalar barreiras físicas, como telas milimétricas em ralos e portas;
– Manter iluminação externa direcionada ao solo, o que ajuda a visualizar animais à noite.
O que não é indicado fazer?
– Usar venenos indiscriminadamente. A maioria dos inseticidas não mata escorpiões e pode até dispersá-los, aumentando o risco dentro da casa;
– Tentar caça manual sem proteção, pois aumenta o risco de acidente;
– Deixar ralos abertos ou descuidados, principalmente em banheiros e lavanderias;
– Manipular entulhos descalço ou sem luvas;
– Depender apenas de predadores naturais (galinhas, sapos, gatos) — isso não controla infestação e não é solução recomendada pelas vigilâncias.
O que fazer se for picado por um escorpião?
– Lave o local da picada com água e sabão. Isso ajuda a reduzir o risco de infecção, mas não neutraliza o veneno;
– Procure atendimento médico imediatamente, indo para a unidade de saúde mais próxima ou pronto atendimento. O Brasil possui soro antiescorpiônico, que é aplicado quando necessário, especialmente em crianças, idosos e pessoas com sintomas moderados ou graves;
– Mantenha a calma e tente manter o membro afetado imóvel. Movimentação excessiva pode acelerar a absorção do veneno;
– Se possível, leve o escorpião para identificação, mas somente se não houver risco de se machucar novamente. Uma foto também pode ajudar, sem a necessidade de capturar o animal;
– Observe os sintomas. Os mais comuns são dor intensa no local, formigamento, suor, náusea, vômitos e agitação. Em crianças pequenas, os sintomas podem evoluir mais rápido, por isso o atendimento deve ser imediato.
O que não deve ser feito em casos de picadas?
– Não aplique torniquetes, pois podem causar danos aos tecidos;
– Não coloque gelo diretamente; pode piorar a dor. O recomendado é apenas compressa morna, se indicar alívio;
– Não use receitas caseiras, como álcool, fumo, café ou pomadas sem orientação;
– Não corte ou esprema o local da picada;
– Não tente sugar o veneno.
Fonte: G1






