O Acre encerrou 2024 com 62 conflitos no campo, um dos menores volumes da Amazônia Legal e uma das maiores reduções do ano. Os dados do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro, mostram que o estado vai na contramão da região, que atingiu o maior índice de conflitos da série histórica. Enquanto a Amazônia registrou crescimento, o Acre encolheu 31,1% em relação ao ano anterior e manteve um dado raro: nenhum assassinato ligado a disputas rurais nos últimos dez anos.
Apesar de já ter figurado entre os estados mais afetados — ocupava a 4ª posição em 2015 —, o Acre aparece agora em 7º lugar no ranking. O estado também está entre os poucos que apresentam queda acumulada em uma década, com retração de 3,1%, atrás apenas do Amapá, que reduziu 20%.
Conflitos por terra dominam o cenário
Assim como nos anos anteriores, quase todos os registros do Acre estão ligados a disputas por terra. Em 2024 foram 59 conflitos desse tipo, volume que corresponde a 5,2% de toda a região amazônica. O levantamento revela que o Acre teve a segunda maior redução percentual nessas ocorrências, caindo 33,7% de 2023 para 2024.
Conflitos por água praticamente não aparecem na série histórica — apenas um registro isolado em 2016 e nenhum em 2024.
Amazônia em alta, Acre em queda
Enquanto o Acre reduziu, a Amazônia Legal somou 1.317 conflitos em 2024, alta de 20,6% e o maior número desde o início do monitoramento em 2015. Estados como Maranhão (420 registros), Pará (314) e Amazonas (132) lideram o ranking. Rondônia, mesmo com queda de 29,4%, ainda apresenta o mesmo total do Amazonas.
Do lado oposto, Acre (62), Amapá (52) e Roraima (34) concentram os menores números.
Leitura da década
A movimentação ao longo dos últimos dez anos mostra que o Acre saiu do grupo dos mais conflituosos e passou a figurar entre os estados com menores índices. A década registra oscilações, mas sempre dentro de patamares moderados — variando de 58 a 90 casos anuais.








