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MP instaura procedimento para investigar apagões de água em Cruzeiro do Sul após dez dias seguidos sem abastecimento em bairros

MP instaura procedimento para investigar apagões de água em Cruzeiro do Sul após dez dias seguidos sem abastecimento em bairros

Foto: Assessoria

O Ministério Público do Acre (MPAC) abriu um procedimento administrativo para investigar a crise no abastecimento de água em Cruzeiro do Sul. A medida foi tomada após uma sequência de relatos de moradores que chegaram a passar dez dias consecutivos sem uma gota nas torneiras — situação que provocou protestos, bloqueios de via e denúncias de risco à saúde em diversos bairros da cidade. As informações foram divulgadas no Diário eletrônico da instituição desta sexta-feira, 28.

A GAZETA entrou em contato com a prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas, até o momento, não obteve resposta. O espaço, no entanto, segue aberto.

Segundo a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente da Bacia Hidrográfica do Juruá, a falta de água deixou famílias inteiras, incluindo crianças, idosos, lactentes e pessoas com deficiência, em situação de vulnerabilidade severa. A portaria cita ainda que a crise é “crônica” e se repete há anos, com registros desde 2012, sem que o poder público tenha apresentado solução efetiva.

Bairros ficaram até cinco dias sem abastecimento mesmo em rodízio

As matérias citadas pelo MP, publicadas por portais como g1 Acre, Ac24Horas e O Juruá em Tempo, relatam interrupções longas em bairros como Lagoa, Morro da Glória, Aeroporto Velho, São José, Cinturão Verde e Remanso. Em algumas localidades, o abastecimento ocorria apenas “a cada cinco dias”, violando princípios básicos de regularidade e continuidade do serviço público.

Um dos episódios que acenderam o alerta foi a queima de um transformador na estação de captação do Igarapé São Salvador, em 16 de outubro. O incidente reduziu pela metade a capacidade de tratamento do sistema principal — um indicativo, segundo o MP, de falhas na manutenção preventiva e ausência de infraestrutura de contingência.

Moradores bloquearam a Ponte da União

Em 21 de novembro, moradores do bairro Lagoa bloquearam a Ponte da União em protesto. Eles afirmaram estar há cerca de dez dias sem água. Para o Ministério Público, o ato representa o “esgotamento” da população diante da recorrência do problema e da falta de respostas efetivas.

A Promotoria requisitou informações à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, ao Saneacre, às secretarias de Meio Ambiente, Obras e à Vigilância Sanitária. Cada órgão tem 10 dias úteis para explicar:

O MP também solicitou laudos técnicos, cronograma de rodízio, registros de fiscalização, análises de potabilidade, mapas de cobertura e documentos de manutenção.

Risco sanitário

A Vigilância Sanitária deverá apontar impactos da falta d’água em escolas, unidades de saúde, creches, hospitais e restaurantes populares. O MP fez referência ainda ao risco de proliferação de doenças de transmissão hídrica e ao impacto na higiene básica.

A portaria deixa claro que, após a análise das informações, o Ministério Público poderá adotar medidas judiciais ou extrajudiciais contra os responsáveis. O órgão também alerta que o não envio ou envio incompleto de informações poderá resultar em responsabilização, conforme previsto na Lei da Ação Civil Pública.

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