O padre Antônio Menezes afirmou, neste sábado, 29, que foi ele próprio quem solicitou à Diocese de Rio Branco autorização para se afastar das funções sacerdotais e se dedicar à pré-campanha a deputado estadual pelo PT. A manifestação ocorre no mesmo dia em que o bispo dom Joaquín Pertíñez anunciou, em nota, a suspensão do religioso por tempo indeterminado, por conta da recém-filiação partidária.
Segundo Menezes, o pedido foi feito por escrito e tinha como objetivo permitir que ele se dedicasse integralmente à pré-campanha, evitando qualquer associação entre suas atividades políticas e o exercício religioso.
“Eu escrevi a carta pedindo para o Dom Joaquim e para o Conselho a minha liberação para eu ir para a política, fazer a pré-campanha. Isso aí foi um pedido meu”, afirmou.
O padre disse que a decisão também foi tomada para evitar conflitos com a comunidade religiosa. “Eu escolho não estar celebrando também, porque depois vão dizer ‘ah, o padre está usando a igreja para se promover'”, declarou.
Ele afirmou estar feliz com o novo caminho e disse que pretende percorrer o estado inteiro durante a pré-campanha. “Eu estou muito contente e muito ciente dessas situações”.
Menezes ressaltou que continua sendo padre e que pretende retornar às atividades após as eleições, a depender do resultado. “Depois das eleições eu escrevo outra carta pedindo para voltar para a missão, para celebrar sobretudo as missas”, disse.
Para ele, não há incompatibilidade permanente entre vida religiosa e política: “Nada impede que o padre seja político. Esses trâmites [de afastamento] são coisas normais e necessárias”.
O religioso anunciou filiação ao PT durante ato partidário em Xapuri, na presença do presidente nacional da sigla, Edinho Silva, e de outras lideranças locais.
A decisão da Igreja, publicada em nota oficial, proibiu o padre de presidir sacramentos, participar de atos religiosos como sacerdote e realizar postagens políticas em espaços ligados à Diocese.