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2 fatores combinados aumentam risco de morte aos 50 em 83%. Veja quais

Combinação de fatores forma um quadro silencioso que eleva risco de mortalidade após os 50 anos e desafia diagnóstico na prática clínica.

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
15/12/2025 - 16:30
Cavan Images/Getty Images

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Aos 50 anos, mudanças corporais costumam avançar de forma silenciosa. Parte delas passa despercebida em consultas de rotina, mas podem esconder um risco alto. Um estudo recente indicou, por exemplo, que a combinação de duas condições comuns eleva em 83% o risco de morte nessa fase da vida.

Segundo o estudo, ter acúmulo de gordura abdominal ao mesmo tempo em que se perde massa muscular com o envelhecimento leva a um ciclo vicioso que aumenta o risco de morte, especialmente por eventos cardiovasculares.

A pesquisa publicada na revista Aging Clinical and Experimental Research, em 2024, resulta de parceria entre a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e a University College London. O trabalho analisou dados de aproximadamente 5 mil pessoas ao longo de 12 anos para entender quais fatores silenciosos poderiam ser mais prejudiciais à saúde.

Isoladas, essas alterações já preocupam médicos. Juntas, revelam cenário mais grave. A combinação caracteriza a condição chamada obesidade sarcopênica, marcada por acúmulo de gordura e redução de músculo, com impacto direto na autonomia e na sobrevida.

Os voluntários, todos participantes do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA), tinham 50 anos ou mais no início da análise e foram acompanhados por 14 anos. A comparação mostrou diferença clara de desfechos. Pessoas sem gordura abdominal e sem perda muscular apresentaram menor mortalidade. Já participantes com ambas as condições tiveram risco de morte 83% maior durante o período observado. A perda progressiva de massa muscular sozinha levou a um aumento médio de 40% do risco e a obesidade abdominal teve um risco médio mais modesto, de 9%.

Diagnóstico difícil
A obesidade sarcopênica costuma ser difícil de identificar. O diagnóstico tradicional depende de exames caros, como ressonância magnética e tomografia computadorizada. Isso limita acesso em sistemas públicos e em regiões com poucos recursos.

“Ao correlacionarmos os dados dos participantes do estudo ELSA, descobrimos que medidas simples podem ser utilizadas para detectar a obesidade sarcopênica”, afirma Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar, em entrevista à Fapesp.

“Isso é importante porque a falta de consenso sobre os critérios diagnósticos dessa doença dificulta sua detecção e tratamento”, diz o pesquisador. Para contornar isso, os autores do estudo adotaram critérios práticos. A obesidade abdominal foi definida por circunferência maior que 102 centímetros em homens e 88 centímetros em mulheres.

A baixa massa muscular foi caracterizada por índice de massa muscular esquelética inferior a 9,36 kg/m² para homens e 6,73 kg/m² para mulheres. Esses parâmetros permitiram identificar grupos de maior risco de forma acessível.

Riscos após os 50 anos
A relação entre gordura abdominal e perda muscular cria um ciclo prejudicial. O excesso de gordura intensifica processos inflamatórios no organismo. Essa inflamação acelera alterações metabólicas e favorece a degradação do músculo.

“Além de uma condição interferir na outra, a gordura se infiltra no músculo e ocupa seu espaço. Esse processo compromete funções metabólicas, endócrinas, imunológicas e funcionais do tecido muscular”, explica Valdete Regina Guandalini, professora da Universidade Federal do Espírito Santo e primeira autora do artigo.

O trabalho indica que avaliações simples em consultas de rotina podem salvar vidas. Medidas acessíveis permitem triagem em larga escala, sem depender de tecnologia restrita a grandes centros.

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A pesquisa também reforça o papel do estilo de vida. Alimentação adequada e exercícios de força ajudam a preservar massa muscular e controlar gordura abdominal e, de quebra, aumentar nossa expectativa de vida.

Por: Metrópoles

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