Capitaneado por cientistas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), um estudo publicado na revista Molecular Neurodegeration demonstrou que a exposição prolongada a um determinado tipo de pesticida está associada ao aumento de mais de 2,5 vezes ao risco de desenvolver a doença de Parkinson. A condição neurodegenerativa crônica e progressiva é causada pela degeneração de neurônios, e caracterizada principalmente por alterações do movimento.
Conforme o renomado portal estadunidense ScienceAlert, o pesticida em questão é o clorpirifós, descrito como um inseticida do grupo químico organofosforado e usado na agricultura para controlar pragas por contato e ingestão.
Totalmente proibida na União Europeia e parcialmente nos EUA, a substância é uma das cinco mais utilizadas no Brasil. De acordo com o site, essa descoberta “agrava as preocupações já existentes em relação” a essas fórmulas e à doença de Parkinson.
Antes de tomar conhecimento dos dados do artigo, a coluna Claudia Meireles ouviu a neurocirurgiã Vanessa Milanese, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia; e o neurologista Izaias Diniz Magalhães, atuante em neurofisiologia clínica. Questionados se existe algum hábito que mais tende a contribuir para o surgimento do Parkinson, os dois médicos foram categóricos e mencionaram sobre os pesticidas.
“A exposição crônica a toxinas ambientais, especialmente pesticidas”, respondeu Vanessa. Ela prosseguiu: “Essas substâncias podem danificar neurônios dopaminérgicos, favorecendo a degeneração cerebral ligada ao Parkinson“.
Segundo Izaias, o maior fator de risco para o desenvolvimento da condição é a idade. “Não existe um único hábito isolado que cause a doença“, defende.
O neurologista acrescenta sobre a exposição crônica a toxinas ambientais ser um dos fatores mais consistentemente associados ao aumento do risco da doença. “Esse tipo de exposição crônica pode ocorrer de forma ocupacional ou ambiental ao longo da vida”, explica. Ele emenda: “De forma geral, o Parkinson é resultado da interação entre fatores ambientais e biológicos, e não de uma causa única.”
Estudo da UCLA
Durante a pesquisa, os cientistas compararam 829 pessoas com a doença de Parkinson e 824 sem a doença. Eles também analisaram os endereços residenciais e de trabalho dos participantes com registros de uso de pesticidas na Califórnia. Assim, a equipe de estudo estimou a exposição de cada indivíduo ao clorpirifós.
“Aqueles com maior exposição no local de trabalho e por períodos mais longos apresentaram uma probabilidade 2,74 vezes maior de desenvolver a doença de Parkinson, em comparação com pessoas que tiveram interação mínima ou nenhuma”, concluíram os pesquisadores. Eles verificaram que o risco para a condição “aumentou significativamente” em quem teve “contato” com o pesticida por mais de uma década.
Em um artigo, o portal ScienceAlert salientou a respeito do interesse dos cientistas em avaliar outros tipos de pesticidas e seus potenciais efeitos no cérebro. Estudos divulgados pelo periódico The British Medical Journal (BMJ) apontaram que o número de pessoas vivendo com a doença de Parkinson pode mais que dobrar em 2050, chegando a 25,2 milhões de casos. Esse número representa um aumento de 112% em relação a 2021 e está ligado ao envelhecimento da população.
Por: Metrópoles