Por muito tempo, a ideia de que um grande susto ou um período de preocupação excessiva poderia branquear os fios capilares foi tratada como mito. No entanto, a ciência moderna já comprovou que a conexão entre a mente e o folículo piloso é direta e biológica.
Muito mais do que uma questão estética, a canície — nome científico dado para os fios brancos — pode ser reflexo físico de um organismo sob pressão constante.
“Apagão” na raiz do cabelo?
Biologicamente, a cor do cabelo é determinada pelos melanócitos, células localizadas na matriz do folículo piloso que produzem a melanina. Já o processo de branqueamento ocorre quando essas células param de funcionar.
À CNN, o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que o estresse crônico é um dos gatilhos para a “morte” dessas células. “Os melanócitos podem sofrer danos ou morrer, interrompendo a produção de melanina. Como resultado, os fios passam a crescer brancos ou grisalhos”.
A ciência por trás disso é precisa. Pesquisas publicadas na revista Nature mostram que o estresse agudo libera noradrenalina, um neurotransmissor que danifica as células-tronco dos melanócitos. “Não se trata de um mito, mas de um processo fisiológico desencadeado por fatores emocionais”, acrescenta o especialista.
O impacto químico no couro cabeludo
Mas como um sentimento se transforma em mudança física? O processo do estresse psicológico envolve o chamado “eixo hipotálamo-hipófise-adrenal”. Quando estamos estressados, o corpo libera uma cascata de hormônios como o cortisol e noradrenalina.
Também à CNN, o biomédico Thiago Martins, mestre em Medicina Estética, ressalta que fatores externos podem piorar o quadro.
“O estresse oxidativo ambiental — causado por sol, poluição, tabagismo e produtos químicos — aumenta os radicais livres. Quando combinado ao estresse emocional, esse efeito é potencializado, acelerando o aparecimento de fios brancos e a queda capilar”.
Por que alguns sofrem mais?
É provável que você conheça alguém que tenha passado por um trama e viu os fios brancos surgirem rapidamente. Enquanto isso, outros parecem imunes ao embranquecimento repentino. Segundo o dermatologista, isso se deve à individualidade biológica.
“Pessoas com menor reserva de células-tronco dos melanócitos ou com maior sensibilidade ao estresse oxidativo tendem a manifestar a canície mais rapidamente.”
Nesse processo, uma das principais dúvidas é se há possibilidade de reverter o quadro — seja com férias ou uma vida mais calma. Thiago, então, esclarece que, na maioria das casos, o caminho é de mão única.
“Em geral, a canície é considerada irreversível, pois os melanócitos destruídos não se regeneram facilmente”, diz o biomédico. No entanto, ele afirma ainda que existem relatos raros de repigmentação parcial quando o estresse é reduzido drasticamente em fases iniciais.
Quando devo me preocupar?
O surgimento de fios brancos é natural com a idade, mas existe um limite cronológico para o que é considerado “normal”. Martins define os marcos da canície precoce:
- Antes dos 20 anos em caucasianos;
- Antes dos 25 anos em asiáticos;
- Antes dos 30 anos em pessoas negras.
Se os fios surgirem antes disso, é hora de investigar deficiências nutricionais, como a falta de vitamina B12, ou distúrbios hormonais.
Para quem quer proteger a cor natural dos fios, a solução é multidisciplinar.
Thiago Martins aponta que nutrientes como zinco, cobre, ferro e vitaminas D e E são essenciais. Já o Dr. Lucas Miranda reforça a necessidade de equilíbrio.
“O principal conselho é adotar hábitos saudáveis, controlar o estresse com atividade física, sono adequado e, se necessário, acompanhamento psicológico e dermatológico”, conclui.
Por: CNN BRASIL