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O que fazer para o chá funcionar e entregar todos os benefícios

Forma de preparo, horário, dose e combinações certas fazem toda a diferença para garantir os benefícios de um chá.

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
03/01/2026 - 15:30
Westend61 / Getty Images

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Beber chá é um hábito comum no dia a dia dos brasileiros, seja para relaxar, ajudar na digestão ou buscar algum efeito funcional, como ação antioxidante ou calmante.

Mas nem todo chá funciona do jeito esperado. Segundo nutricionistas especialistas em fitoterapia, erros simples no preparo, na quantidade ou no momento do consumo podem reduzir — ou até anular — os benefícios da bebida.

De acordo com a nutricionista Carla Borges, da Santa Casa de Misericórdia de Chavantes, o chá só entrega seus efeitos quando os compostos bioativos da planta conseguem ser extraídos corretamente.

“Polifenóis, flavonoides e óleos essenciais são sensíveis à temperatura, ao tempo de infusão e à quantidade usada. Se errar nesses pontos, o efeito pode ser fraco ou até causar desconforto”, explica.

O preparo do chá interfere nos benefícios?

Interfere — e muito. Um dos erros mais comuns é usar água quente demais. Água fervendo, a 100 °C, pode destruir compostos delicados, principalmente em chás de folhas, como verde, branco e ervas aromáticas.

A orientação geral é usar água entre 70 °C e 80 °C para chás verdes e brancos, enquanto ervas mais resistentes, raízes e cascas suportam temperaturas mais altas, entre 90 °C e 100 °C.

O tempo de infusão também merece atenção. Pouco tempo não extrai os compostos necessários; tempo demais deixa o chá amargo e aumenta a concentração de taninos, que podem irritar o estômago. Em média, o ideal é manter o chá em infusão por 3 a 5 minutos, embora algumas raízes precisem de mais tempo.

Outro ponto-chave é a quantidade da planta. Pouca erva resulta em efeito fraco; excesso pode causar desconforto gastrointestinal. A proporção mais comum é 1 colher de chá (2 a 3 gramas) para 200 ml de água.

O horário do chá faz diferença?

Faz, sim. O momento do consumo pode influenciar metabolismo, digestão e até o sono. Pela manhã, chás estimulantes, como verde, preto e mate, ajudam no foco e na disposição, mas podem causar náusea se consumidos em jejum por pessoas mais sensíveis.

Após as refeições, chás digestivos — como hortelã, erva-doce e gengibre — auxiliam a digestão e reduzem gases. Mas os chás ricos em taninos podem atrapalhar a absorção de ferro quando tomados junto às refeições.

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À noite, a recomendação é de tomar chás calmantes, como camomila, erva-cidreira e melissa, que favorecem o relaxamento e o sono. Já os chás com cafeína devem ser evitados nesse período.

Chá pode substituir água?

A substituição é apenas parcial. Chás sem cafeína contribuem para a hidratação, mas não devem ocupar todo o espaço da água na rotina. Já os chás com cafeína — verde, preto e mate — não causam desidratação grave, mas também não devem ser a principal fonte de líquidos.

Para a maioria das pessoas, o consumo seguro gira em torno de duas a quatro xícaras por dia. Em excesso, o chá pode causar irritação gástrica, aumento da frequência urinária, desconforto intestinal e, em alguns casos, redução da absorção de minerais, como o ferro.

Combinar chá com alimentos ajuda ou atrapalha?

Depende da combinação. Açúcar deve ser evitado, pois reduz o benefício metabólico e pode anular parte do efeito antioxidante. O mel é uma opção melhor, mas ainda exige moderação.

O limão, por outro lado, pode aumentar a absorção de antioxidantes e melhorar a biodisponibilidade de alguns compostos. Adoçantes não interferem diretamente nos ativos do chá, mas o uso frequente pode afetar o paladar e a microbiota intestinal.

Quem deve ter cautela?

Alguns grupos precisam de atenção especial. Gestantes devem evitar o consumo de chás sem orientação médica, já que muitas plantas têm efeito abortivo ou interferem em hormônios.

Lactantes também precisam de cuidado, pois alguns compostos passam para o leite materno. Pessoas com pressão alta, diabetes ou que usam medicamentos contínuos devem observar possíveis interações, já que certos chás podem alterar a absorção ou potencializar efeitos de remédios.

Planta certa, dose correta e preparo adequado

Para Thaís Barca, nutricionista especialista em fitoterapia, a eficácia do chá depende de três pilares. “Um chá só funciona quando entrega quantidade suficiente de compostos bioativos para gerar um efeito fisiológico. Isso depende de escolher a planta certa para o objetivo, usar a dose adequada e respeitar a forma correta de preparo”, afirma.

Ela explica que cada planta possui princípios ativos específicos, como flavonoides, alcaloides, óleos essenciais e taninos. “Se a planta não tiver ação comprovada para aquele objetivo, o chá não será eficaz. E mesmo a planta certa pode não funcionar se a dose for insuficiente ou causar efeitos adversos se for usada em excesso”.
O método de preparo também muda conforme a parte da planta. A infusão é indicada para folhas e flores: ferve-se a água, desliga-se o fogo, adiciona-se a planta e tampa-se o recipiente por sete a dez minutos.

A decocção é usada para raízes e cascas, fervendo a planta junto com a água pelo mesmo período. Já a maceração é feita em água fria, indicada para compostos sensíveis ao calor, após amassar ou rasgar a planta.

Misturar ervas pode ser um problema?

Pode ser seguro e eficaz, desde que haja conhecimento das interações. “Algumas combinações são sinérgicas e potencializam o efeito desejado, como ervas digestivas juntas.

Mas misturar muitas plantas, especialmente diuréticas, pode causar queda de pressão, sobrecarga renal ou hepática”, alerta Thaís. Em geral, a orientação é usar de uma a três plantas bem escolhidas, o que aumenta a segurança e facilita identificar possíveis efeitos colaterais.

Sinais de que o chá não está fazendo bem

Enjoo, dor abdominal, diarreia, tontura, dor de cabeça, fraqueza, alterações na pressão, palpitações, sonolência excessiva, mudanças no humor ou no hábito intestinal indicam que o chá deve ser suspenso e reavaliado por um profissional, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

Guia prático: como fazer o chá realmente funcionar

  • Escolha a planta certa para o objetivo desejado;
  • Use a quantidade adequada (em geral, 1 colher de chá para 200 ml de água);
  • Respeite a temperatura da água conforme o tipo de planta;
  • Atenção ao tempo de preparo: nem pouco, nem demais;
  • Prefira consumir no horário mais indicado para o efeito esperado;
  • Evite adicionar açúcar; se possível, use limão ou pequenas quantidades de mel;
  • Não substitua a água por chá;
  • Desconfie de “misturas milagrosas” com muitas ervas;
  • Suspenda o uso se surgirem sintomas;
  • Gestantes, lactantes e pessoas em uso de medicamentos devem buscar orientação profissional.

Em resumo, chá é saudável, mas não é neutro. Quando bem escolhido e preparado, pode ser um grande aliado. Quando usado sem critério, perde o efeito — ou pode causar problemas. Variedade, moderação e atenção ao próprio corpo continuam sendo as melhores escolhas.

Por Metrópoles

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