Com o retorno das atividades escolares, reorganizar a alimentação das crianças torna-se uma prioridade para garantir energia e foco nos estudos. A transição da liberdade total para a disciplina dos horários pode gerar resistência nos pequenos e ansiedade nos pais.
O segredo não é impor regras rígidas do dia para a noite, mas sim realizar uma adaptação gradual. Entender esse processo é o primeiro passo para transformar a mesa de jantar em um ambiente de paz, e não de batalha.
Impacto das férias na alimentação dos pequenos
Durante o recesso escolar, é natural que as regras fiquem mais flexíveis. O problema acontece quando a exceção vira a regra permanente.
O consumo excessivo de ultraprocessados, açúcar e horários desregulados afeta não apenas o peso, mas também o humor e a disposição da criança para aprender.
A volta às aulas pede, acima de tudo, organização. Para a nutricionista Cynthia Howlett, coordenadora de Projetos Educacionais da Sanutrin, o primeiro passo é a comunicação.
É essencial explicar para a criança que o período de festa acabou e que o corpo precisa de horários para funcionar bem novamente. Isso ajuda a alinhar expectativas e diminui a frustração na hora de trocar a pizza pela salada.
O exemplo vem de cima
Você sabia que o seu comportamento à mesa define como seu filho vai comer? Um estudo recente da Universidade de Aston, na Inglaterra, jogou luz sobre essa questão.
Os pesquisadores apontaram que as crianças tendem a reproduzir o comportamento alimentar dos adultos, copiando inclusive ações emocionais ligadas à comida.
Ou seja, se você demonstra ansiedade e come besteiras para “aliviar o estresse”, seu filho pode assimilar esse padrão.
Portanto, para melhorar a alimentação das crianças, os pais precisam ser os primeiros a ajustar o próprio prato. É um esforço coletivo da família, e não apenas uma regra para os menores.
A importância de retomar os horários
A nutrição não acontece apenas no momento da mastigação. Ela começa no relógio biológico. Cynthia Howlett reforça que a rotina envolve todo o ciclo do dia: desde a hora de acordar até o momento de ir para a cama.
Dormir tarde, por exemplo, afeta os hormônios da saciedade e da fome. Uma criança que dorme mal tende a querer alimentos mais calóricos no dia seguinte.
Logo, é importante estabelecer horários fixos para as principais atividades do dia, como acordar, tomar café da manhã, almoçar e, principalmente, dormir.
Essa previsibilidade traz segurança emocional para a criança, ajudando-a a entrar novamente no “modo escolar” com mais facilidade.
Do improviso ao planejamento
Na volta às aulas, o planejamento é rei. A substituição dos lanches rápidos por opções nutritivas exige que a despensa esteja preparada.
“O importante é a gente se organizar para ter em casa as frutas, os legumes e as verduras para poder oferecer”, explica a nutricionista.
Se não houver opções saudáveis disponíveis e fáceis de pegar, a tendência será sempre abrir o pacote de bolacha mais próximo.
Dicas para a lancheira escolar
A lancheira é um dos maiores desafios dos pais. Como competir com a cantina ou com o lanche do colega?
A dica é envolver a criança no processo. Em vez de apenas entregar a lancheira pronta, pergunte: “Qual fruta você quer levar hoje: maçã ou banana?”. Dar opções limitadas gera sensação de autonomia sem perder a qualidade nutricional.
Além disso, bilhetinhos carinhosos na lancheira podem criar uma associação positiva com aquele alimento. O afeto nutre tanto quanto a comida.
Estratégias lúdicas: o poder dos “combinados”
Ninguém gosta de imposições, muito menos as crianças. Para tornar a alimentação das crianças mais saudável sem gerar conflitos, a melhor ferramenta é o “combinado”.
Cynthia sugere tornar o processo participativo. Que tal estipular quantas cores diferentes precisam estar no prato do almoço?
Ou então, definir que a sexta-feira é o dia do lanche livre, onde eles escolhem o que querem comer (com moderação, claro).
Esses acordos diminuem a tensão e transformam a alimentação em uma gincana saudável, onde o objetivo é a saúde e o bem-estar de todos.
Jantar em família: momento de conexão
Tente estabelecer pelo menos uma refeição por dia para comerem todos juntos, preferencialmente o jantar.
Nesse momento, desligue as telas e foque na comida e na conversa. Isso reforça o vínculo familiar e permite que os pais monitorem de perto a aceitação dos alimentos, servindo de exemplo ao comerem vegetais e legumes com prazer.
Férias vs. Volta às Aulas
Para facilitar a visualização do que precisa ser ajustado, preparamos um comparativo prático baseado nas orientações dos especialistas.
Confira o que fica nas férias e o que entra na rotina agora:
O que fica nas férias
- Acordar tarde e pular o café da manhã.
- Almoçar em horários aleatórios.
- Sobremesas e sorvetes no meio da tarde.
- Lanches baseados em industrializados (biscoitos, hambúrgueres).
- Dormir tarde sem hora marcada.
O que entra na rotina
- Sono regulado: Dormir cedo para acordar disposto.
- Ritmo alimentar: Café, almoço e jantar em horários fixos.
- Lancheira inteligente: Sanduíches naturais, frutas e água.
- Prato colorido: Almoço equilibrado com foco em nutrientes.
- Doce é exceção: Evitar sobremesas diárias durante a semana.
- Hidratação: Preferência por picolés de fruta ou água de coco em vez de sorvetes cremosos.
Paciência é a chave do sucesso
Por fim, lembre-se de que reorganizar a alimentação das crianças não é uma corrida de 100 metros, mas sim uma maratona.
O importante é manter a constância e não desistir diante da primeira cara feia para o brócolis.
Com afeto, exemplo e organização, a rotina escolar se tornará não apenas um momento de aprendizado acadêmico, mas também de construção de hábitos saudáveis que seu filho levará para a vida toda.
Por: Alto Astral








