Essencial para o funcionamento do organismo, a glicose é a principal fonte de energia do corpo. Porém, quando em excesso no sangue, o açúcar pode causar complicações importantes, como doenças cardíacas, problemas renais e diabetes. A glicose alta danifica vasos sanguíneos, dificulta a cicatrização, aumenta o risco de infecções e pode causar até cegueira.
Apesar das consequências graves, é difícil perceber que a glicose está muito alta. Os sintomas são inespecíficos, e incluem fadiga e aumento da sede, por exemplo.
Sinais que a glicose está alta
- Sentir-se muito cansado: o açúcar extra não significa mais energia. O corpo passa a não ser capaz de utilizar o excesso de glicose em benefício próprio, resultando em cansaço extremo.
- Aumento de micção e sede: os rins são incapazes de filtrar o excesso de açúcar no sangue. Com isso, eles tentam removê-lo de qualquer forma, principalmente pela urina. Para repor a quantidade de líquido que sai, o corpo passa a pedir cada vez mais água.
- Visão turva: níveis elevados de glicose no sangue podem aumentar a pressão dos vasos sanguíneos atrás da retina e causar visão turva. A dificuldade pode ser apenas temporária, sendo resolvida quando a quantidade de açúcar no sangue se estabiliza.
- Dormência e formigamento: o excesso de açúcar no sangue pode resultar em danos no sistema nervoso, que causa uma condição chamada neuropatia e é caracterizada pela dormência ou formigamento dos dedos, das mãos e dos pés.
No Brasil, existem vários tipos de exame para medir a glicemia, mas o mais comum é um teste de sangue feito com um aparelho. Em jejum, ela é considerada normal quando está entre 70 e 99 mg/dL. Se a glicose for medida após a refeição, com intervalo de duas horas da alimentação, não deve ultrapassar os 140 mg/dL.
Glicemia em jejum:
- 100 a 125 mg/dL = intolerância à glicose.
- Acima de 126 mg/dL = diabetes.
Glicemia duas horas após a refeição:
- 140 a 199 mg/dL = intolerância à glicose.
- Acima de 200 mg/dL = diabetes.

No início, glicose alta pode ser revertida
De acordo com o endocrinologista Renato Zilli, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a diabetes evolui de maneiras diferentes em cada pessoa. Acompanhar os níveis de glicose com o médico é importante para identificar o início da doença.
“Em fases iniciais, quando o pâncreas ainda produz insulina suficiente e a resistência à insulina é leve, mudanças no estilo de vida podem normalizar a glicose. Em outros casos, há perda progressiva da função pancreática, o que torna o medicamento necessário. A diabetes pode ser silenciosa no início, mas é uma doença grave. O tratamento adequado no momento certo protege o organismo”, alerta Zilli.
Nos estágios iniciais, na chamada pré-diabetes, a mudança no estilo de vida, com ajuste da dieta, pode ser suficiente para reverter o quadro.
“Se o paciente começa a fazer atividade física, diminui o consumo de carboidrato, melhora a qualidade dos carboidratos que ele está ingerindo, diminui o consumo de açúcar, de processados, passa a ter um estilo de vida mais saudável, ele pode conseguir normalizar completamente a glicemia”, afirma a endocrinologista Thais Castanheira, do centro clínico do Órion Complex, de Goiânia.
Por: Metrópoles








