O cantor Léo Santana surpreendeu os seguidores ao compartilhar que está sentindo os mesmos sintomas da gravidez da esposa, a dançarina e empresária Lore Improta, que está no quarto mês da gestação. Em um story publicado no Instagram na noite da última quarta-feira (14), ele contou que tem sentido mais sono, vontade de fazer xixi e até enjoo. Sintomas clássicos das grávidas.
“Estou falando desde o terceiro mês de que o marido tem alguns sintomas que a esposa tem na gravidez: sono, caga do nada, mija para caramba”, disse ele, fazendo a esposa rir. Em seguida, Lore pergunta se ele também tem sentido enjoo. “Às vezes um enjoozinho”, respondeu. “E hoje teve queda de pressão, né?”, questiona a dançarina. “Exato”, confirmou Léo.
Por que homens podem sentir os sintomas de gravidez da parceira?
Apesar de parecer improvável, homens realmente podem sentir os sintomas de gravidez da esposa, como aconteceu com o cantor. Isso acontece como uma resposta física e empática do parceiro à gravidez da companheira, sendo conhecida como Síndrome de Couvade.
“É uma resposta adaptativa à transição para a paternidade, que compõe o árduo trabalho de acomodar a experiência de receber uma criança na própria experiência existencial do homem”, explica a psiquiatra Patrícia Piper Ehlke, especialista em Psiquiatria e Psicologia Perinatal.
Durante a gestação, todo o sistema de empatia se especializa, ou seja, biologicamente, o cérebro da mulher se altera estruturalmente para que as funções relacionadas à empatia se potencializem. “É uma constatação evolutiva bastante impressionante: do que precisa um bebê além de alguém que procure entender suas demandas? E se isso ocorre com as mulheres quando viram mães, por que não poderia ocorrer com os homens que viram pais?”, ressalta Patrícia.
A empatia, no entanto, precisa ser mútua, já que a síndrome de Couvade costuma estar ligada a uma conexão emocional intensa que o homem desenvolve com a gestante. “Ele sente sensações que compartilha com ela, um estado empático por excelência.”
A paternidade, lembra a médica, também desencadeia uma cascata de mudanças biológicas, como a redução da testosterona e do estradiol, o aumento da prolactina e, possivelmente, transformações no cérebro que ainda não são totalmente conhecidas. “Então sim, a síndrome de Couvade, como uma resposta adaptativa à transição a paternidade, pode ter uma base biológica.”
Quem pode ter síndrome de Couvade?
Não há, na literatura científica, um perfil definido de predisposição à síndrome, mas ela tende a surgir com mais frequência em gestações de risco e em casos de bebês prematuros. “Os sintomas costumam ser mais intensos no primeiro e no terceiro trimestre de gestação e melhoram após o nascimento”, completa a psiquiatra.
A profissional observa que isso pode acontecer inclusive entre irmãos. “Não é o laço amoroso ou a experiência de uma gestação anterior que influencia a vivência da síndrome de Couvade, mas como cada um, em sua subjetividade, lida com a experiência da parentalidade em si”, conclui a psiquiatra.
Revista Crescer






