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Além do afeto: cuidar dos netos protege o cérebro, diz estudo

Além do afeto: cuidar dos netos protege o cérebro, diz estudo

Foto: Ekaterina Shakharova / Unsplash

Cuidar dos netos pode trazer benefícios ao cérebro — essa é a principal conclusão de um estudo publicado nessa segunda-feira (26/01) na revista Psychology and Aging.

Pesquisadores acompanharam 2.887 adultos com mais de 50 anos ao longo de seis anos e observaram que avós que ajudam a cuidar das crianças tendem a ter melhor desempenho em testes de memória e linguagem do que aqueles que não cuidam.

Para a pesquisa, os participantes responderam a questionários sobre suas rotinas e fizeram testes cognitivos em três momentos entre 2016 e 2022, o que permitiu aos cientistas comparar mudanças ao longo do tempo.

De acordo com os pesquisadores da Universidade de Tilburg, no sul dos Países Baixos, o simples fato de ser um avô ou avó que participa dos cuidados com os netos parece estar ligado a melhores resultados cognitivos. Isso significa que não é apenas a quantidade de horas com as crianças que importa, mas o engajamento nessas atividades.

Brincar, ajudar nas tarefas da escola, preparar lanches ou passear com as crianças exigem atenção, planejamento, conversas e solução de problemas — ações que envolvem várias partes do cérebro.

Esse tipo de estímulo contínuo pode funcionar como um “treino” mental natural, mantendo a mente mais ativa com o passar dos anos. Além disso, a interação social constante ajuda a combater o isolamento, um fator que sabemos estar associado a riscos maiores de declínio cognitivo.

Os pesquisadores observaram que os avós que cuidam dos netos regularmente obtiveram pontuações mais altas em testes de memória e em tarefas de fluência verbal — que medem a capacidade de lembrar palavras e se expressar — do que aqueles que não fazem esse tipo de cuidado.

Outro achado foi que as avós, em particular, apresentaram declínio cognitivo mais lento ao longo do tempo do que as mulheres que não cuidavam dos netos. Isso sugere que o envolvimento ativo com as crianças pode ser especialmente benéfico para elas.

Nem sempre é “cura” para o cérebro
Apesar dos resultados promissores, os autores do estudo alertam que isso não prova causalidade — ou seja, não dá para dizer que cuidar dos netos faz o cérebro ficar mais saudável. Pode ser que avós já com melhor cognição escolham ou sejam escolhidos para cuidar mais ativamente.

A pesquisa também indica que quando o cuidado se torna excessivo, obrigatório ou estressante, os benefícios diminuem ou até podem ser negativos, pois o estresse pode afetar a saúde mental.

Mais do que apenas uma atividade familiar, o cuidado dos netos faz parte de relações intergeracionais que podem fortalecer vínculos e criar rotina social para os mais velhos.

Com o envelhecimento da população em muitos países, entender como papéis familiares influenciam a saúde cognitiva é importante tanto para políticas públicas quanto para o bem-estar das famílias.

Embora o estudo não prove que cuidar dos netos “protege” o cérebro por si só, o engajamento social e mental envolvido nessas atividades parece estar ligado a uma mente mais ativa na terceira idade.

Por: Metrópoles

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