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Fim da patente do Ozempic gera disputa bilionária por genéricos no Brasil

Com exclusividade prestes a acabar em março de 2026, farmacêuticas nacionais se preparam para disputar um mercado que pode chegar a R$ 20 bilhões.

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
01/01/2026 - 17:30
Foto: Getty Images

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A contagem regressiva está em curso. Em 20 de março de 2026, o Ozempic deixa de ser exclusividade da dinamarquesa Novo Nordisk no Brasil, abrindo caminho para uma enxurrada de versões genéricas e similares da semaglutida — substância que revolucionou o tratamento do diabetes tipo 2 e se tornou símbolo do boom dos medicamentos para emagrecimento. O fim da patente inaugura uma corrida bilionária entre farmacêuticas nacionais e promete transformar profundamente o acesso a esse tipo de tratamento no país.

O impacto econômico é expressivo. Em 2023, o Ozempic registrou R$ 3,1 bilhões em vendas no Brasil, o maior faturamento anual já alcançado por um único medicamento no país. Atualmente, o mercado de canetas injetáveis para controle metabólico e perda de peso movimenta cerca de R$ 11 bilhões por ano. Com a entrada dos genéricos, analistas projetam que esse número pode praticamente dobrar, alcançando R$ 20 bilhões já em 2026.

Por que o Brasil entra antes na fase pós-patente

Embora tenha sido aprovado no Brasil em 2018, o pedido de patente da semaglutida foi depositado em 2006. Em 2021, uma decisão do Supremo Tribunal Federal mudou o jogo ao derrubar a regra que permitia a prorrogação automática de patentes por atrasos no INPI. Com isso, ficou definido o prazo máximo de 20 anos a partir do depósito.

A Novo Nordisk tentou estender a proteção até 2038, mas teve o pedido negado pelo Superior Tribunal de Justiça. Na prática, o Brasil passa a integrar o grupo de países que entrarão mais cedo na fase pós-patente da semaglutida — um fator que atraiu o interesse imediato da indústria farmacêutica nacional.

Farmacêuticas entram em campo

A EMS largou na frente. Líder no mercado de genéricos, a empresa investiu mais de R$ 1 bilhão em sua planta em Hortolândia (SP) e afirma estar pronta para produzir a semaglutida do insumo ao produto final. Após lançar canetas similares em 2025, a companhia planeja colocar sua versão no mercado assim que a patente expirar.

A meta é ambiciosa: faturar até US$ 4 bilhões por ano no médio prazo, somando Brasil e exportações. A EMS também se movimenta nos Estados Unidos e tenta garantir o status de first applicant, o que pode assegurar até 180 dias de exclusividade no maior mercado do mundo.

A Cimed também aposta alto. Segundo o CEO João Adibe, a “canetinha amarela” chega às farmácias imediatamente após o fim da patente. O projeto faz parte de um pacote de 150 novos produtos previstos para os próximos cinco anos, sustentado por um plano de investimentos de R$ 2 bilhões e a meta de atingir R$ 10 bilhões em receita até 2030.

A Hypera Pharma, dona da Neo Química, trabalha para obter registro na Anvisa e lançar sua própria versão. Já a Eurofarma seguiu outro caminho: firmou parceria com a própria Novo Nordisk para distribuir e promover novas marcas de semaglutida biológica no Brasil.

Outros grupos também se posicionam. A Biomm fechou acordo exclusivo com a indiana Biocon, enquanto a Nexus anunciou investimento de R$ 60 milhões para instalar uma fábrica em Sorocaba (SP). Laboratórios como Prati-Donaduzzi e Teuto acompanham de perto a movimentação.

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Preço menor e acesso ampliado

O Brasil já é um dos maiores mercados de genéricos do mundo. Em 2024, o setor faturou R$ 20,4 bilhões e ocupou 15 das 20 posições entre os medicamentos mais prescritos no país. Com a queda da patente do Ozempic, a expectativa é de rápida redução de preços, produção nacional em larga escala e ampliação do acesso.

Hoje, o consumo mensal de medicamentos à base de semaglutida gira em torno de 1 milhão de caixas, número que atende apenas 2,5% dos adultos obesos no Brasil. A chegada dos genéricos pode destravar uma demanda reprimida e levar o tratamento a uma parcela muito maior da população.

Concorrência global e novos efeitos

Enquanto enfrenta a futura concorrência local, a Novo Nordisk reforça sua presença industrial no Brasil, com investimento superior a R$ 6,4 bilhões na expansão da fábrica de Montes Claros (MG). No cenário internacional, porém, a empresa sente a pressão: suas ações acumulam queda superior a 45% em 2025, enquanto a rival Eli Lilly avança com o Mounjaro, à base de tirzepatida.

A chegada dessa nova geração de medicamentos ao mercado brasileiro tende a intensificar a concorrência e acelerar a transição das canetas emagrecedoras de um produto de nicho para um tratamento de massa.

Os efeitos já começam a se espalhar para além da indústria farmacêutica. Analistas apontam mudanças no comportamento do consumidor, com reflexos em setores como alimentos e bebidas. Em relatório recente, a XP citou o impacto estrutural de medicamentos como o Ozempic ao rebaixar a recomendação das ações da Ambev.

Com informações do Times Brasil

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