Rocha derretida de “Super-Terras” no espaço pode criar condições habitáveis
A Gazeta do Acre
Camadas de rocha derretida no interior de Super-Terras podem gerar campos magnéticos. Foto: Laboratório de Energética a Laser da Universidade de Rochester / Michael Franchot
De acordo com um novo estudo publicado pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, oceanos de magma ocultos podem proteger exoplanetas rochosos — maiores que a Terra — da radiação prejudicial à vida.
Segundo o estudo, esses oceanos de rocha derretida podem estar alimentando campos magnéticos fortes o suficiente para proteger as “Super-Terras” — planetas que orbitam estrelas fora do nosso sistema solar — o que torna possível a criação e a manutenção de condições habitáveis.
O campo magnético da Terra é gerado pelo movimento em seu núcleo externo de ferro líquido, um processo conhecido como dínamo. Nas “Super-Terras”, os núcleos podem ser sólidos ou totalmente líquidos, e por isso não conseguem produzir campos magnéticos da mesma maneira.
Como sugere o estudo publicado na Nature Astronomy, esses campos magnéticos necessários para a manutenção da vida podem estar sendo gerados por uma fonte alternativa: uma camada profunda de rocha derretida chamada de OMB (oceano de magma basal).
“Um campo magnético forte é muito importante para a vida em um planeta”, diz MIki Nakajima, professora associada do Departamento de Ciências da Terra e do Meio Ambiente e pesquisadora da Universidade de Rochester. Ela reforça que o fato das “Super- Terras” poderem produzir dínamos em seus núcleos e/ou magma, podem aumentar sua habitabilidade planetária.
Descobertas de 2026 – (1): Astrônomos do Observatório Europeu do Sul identificaram uma “onda de choque” em torno de uma estrela morta. O fenômeno foi formado a partir de uma colisão entre o gás e a poeira ejetados pela estrela morta RXJ0528+2838, e foi identificado com auxílio do VLT (Very Large Telescope). Foto: ESO/K. Iłkiewicz and S. Scaringi et al. Background: PanSTARRS
Descobertas de 2026 – (2): A lua Europa, de Júpiter, está na lista restrita de lugares do nosso Sistema Solar considerados promissores na busca por vida além da Terra, com um grande oceano subterrâneo que se acredita estar escondido sob uma camada externa de gelo. No entanto, novas pesquisas estão levantando dúvidas. Após modelar as condições de Europa, os pesquisadores concluíram que seu assoalho rochoso provavelmente é mecanicamente forte demais para permitir esse tipo de atividade. Foto: Nasa/JPL-Caltech/SETI Institute
Descobertas de 2026 – (3): O vento solar, em combinação com o campo magnético da Terra, tem transportado partículas da atmosfera do nosso planeta para a superfície da Lua há bilhões de anos, revela pesquisa da Universidade de Rochester. Foto: Shubhonkar Paramanick/Universidade de Rochester
Descobertas de 2026 – (4): Astrônomos podem ter descoberto um tipo de objeto até então desconhecido, apelidado de “Cloud-9”, que pode lançar luz sobre a matéria escura. Pesquisa publicada no periódico The Astrophysical Journal Letters mostra que Cloud-9 é uma nuvem de matéria escura que pode ser um remanescente da formação de galáxias nos primórdios do universo. Foto: NASA/ESA/VLA/Gagandeep Anand/Alejandro Benitez-Llambay/Joseph DePasquale
Descobertas de 2026 (5) – Um objeto vindo do espaço chocou-se com a Terra há cerca de seis milhões de anos, espalhando fragmentos pelo Brasil. Somente agora, em 2026, a ciência conseguiu confirmar o evento, que deu origem a pedaços de vidro conhecidos como tectitos. Foto: Álvaro Cóstra/Unicamp
Descobertas de 2026 (6) – Observações realizadas peloTelescópio Espacial James Webb identificaram centenas de pequenos objetos avermelhados em imagens profundas do Universo primitivo. Um estudo liderado por Rusakov et al., publicado na revista Nature em janeiro, apresentou uma nova interpretação para esses objetos. De acordo com os autores, os LRDs correspondem a buracos negros em fase inicial de crescimento. Foto: Reprodução NASA, ESA, CSA, STScI, JWST; Dale Kocevski (Colby College)
Descobertas de 2026 (7) – Os astrônomos há muito tempo buscam indícios de que uma estrela companheira oculta se encontra fora de vista perto da supergigante vermelha Betelgeuse. Agora, eles descobriram uma nova evidência: um rastro semelhante ao deixado por um barco, atravessando a atmosfera superior de Betelgeuse, provavelmente formado pela companheira invisível. Foto: Elizabeth Wheatley/ESA/NASA
Descobertas de 2026 (8) – Uma equipe internacional de astrônomos revelou a descoberta de uma estrutura inédita de ferro ionizado no interior da Nebulosa do Anel. Os cientistas detectaram a “barra” estreita que emite luz especificamente através de átomos de ferro. Foto: Telescópio Espacial James Webb
Descobertas de 2026 (9) – Uma equipe de astrônomos, com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter Array), um rádio-observatório que fica no Chile, conseguiu registrar em alta resolução 24 discos de detrito em torno de estrelas. Os anéis fotografados fazem parte da Cintura de Kuiper, que fica no mesmo Sistema Solar da Terra, depois de Netuno. Foto: Divulgação/ESO
Descobertas de 2026 (10) – Astrônomos registraram um dos exemplos mais impressionantes já vistos no espaço após observarem a presença de um buraco negro “renascido” após 100 milhões de anos em inatividade em uma cena comparada à erupção de um “vulcão cósmico”. Segundo o estudo publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o fenômeno foi observado no centro da galáxia J1007+3540. Foto: LOFAR/Pan-STARRS/S. Kumari et al.
Descobertas de 2026 (11) – Conceito artístico do exoplaneta candidato HD 137010 b, apelidado de “Terra fria” por ser um possível planeta rochoso ligeiramente maior que a Terra, orbitando uma estrela semelhante ao Sol a cerca de 146 anos-luz de distância. Foto: NASA/JPL-Caltech/Keith Miller (Caltech/IPAC)
Descobertas de 2026 (12) – Uma molécula de 13 átomos contendo enxofre (como pode ser visto nesta ilustração) foi descoberta no espaço interestelar pela primeira vez. Os pesquisadores consideram a descoberta um “elo perdido” na compreensão das origens cósmicas da química da vida. Foto: Divulgação/ MPE/NASA/JPL-Caltech
Como é criada a proteção magnética?
Os pesquisadores descobriam que a rocha derretida muda de comportamento quando sofre uma pressão esmagadora estrema e passa a conduzir eletricidade como se fosse metal. Esse magma “metálico” em movimento cria um motor elétrico natural, chamado de dínamo, que gera o campo magnético ao redor do planeta.
Acredita-se que pouco depois da formação da Terra, ela possuía uma camada de rocha parcialmente ou totalmente fundida na base do manto, que esfriou e virou rocha há muitos anos. Nas “Super Terras” — que possuem de três a seis vezes o tamanho do nosso planeta — o calor e a pressão interna são tão altos que o magma pode durar bilhões de anos sem solidificar.
O que são as “Super-Terras”?
As “Super Terras” são maiores que a Terra, mas menores que gigantes de gelo como Netuno. Os cientistas acreditam que elas são principalmente rochosas como a Terra, com superfícies sólidas em vez de camadas de gás como as que envolvem Júpiter ou Saturno.
Apesar do nome, “Super-Terra” refere-se apenas ao tamanho e à massa, não à semelhança desses planetas com a Terra em outros aspectos. Elas aparecem com frequência na nossa galáxia e oferecem janela crucial para a compreensão de como os planetas se formam e evoluem.
Ao estudar suas composições, atmosferas e campos magnéticos, os cientistas estão descobrindo pistas sobre as origens dos sistemas planetários e sinais de condições que poderiam permitir que a vida prosperasse em outros lugares.