O mês de fevereiro no Acre é historicamente marcado por chuvas intensas e elevada nebulosidade, segundo análise do pesquisador Davi Friale, do site O Tempo Aqui. De acordo com ele, esse período concentra alguns dos maiores volumes de precipitação do ano e costuma provocar impactos como cheias de rios e alagamentos em áreas urbanas.
Friale explica que clima não se confunde com previsão do tempo. Enquanto o clima representa a média dos fenômenos meteorológicos observados ao longo de décadas em uma região, o tempo refere-se às condições momentâneas da atmosfera, que podem ser analisadas no passado, no presente ou projetadas para o futuro. Essa distinção é fundamental para compreender o comportamento atmosférico e elaborar previsões mais precisas.
No Acre, fevereiro é o mês mais úmido e chuvoso nas regiões leste e sul do estado, onde estão as microrregiões de Rio Branco, Brasileia e Sena Madureira. Já no Vale do Juruá, o período corresponde ao segundo mês mais chuvoso do ano. Em média, Rio Branco e Cruzeiro do Sul registram 17 dias com chuva igual ou superior a 1,0 milímetro durante fevereiro, enquanto Tarauacá apresenta cerca de 18 dias chuvosos.
As chuvas costumam ser frequentes e, na maioria das vezes, de curta duração, podendo ocorrer mais de uma vez no mesmo dia. No entanto, há registros de episódios prolongados, com precipitações contínuas por 12 horas ou mais. O maior volume de chuva acumulado em 24 horas, no mês de fevereiro, em Rio Branco, foi de 159,2 milímetros, registrado em 2018. Em Cruzeiro do Sul, o maior acumulado no mesmo período chegou a 104,0 milímetros, em 1971.
Apesar do alto volume de chuvas, fevereiro não é caracterizado por grande incidência de descargas elétricas no estado. Raios podem ocorrer em dias isolados, mas temporais acompanhados de ventos fortes não são comuns nesse mês. Em contrapartida, há registros ocasionais de períodos mais secos e ensolarados, associados à incursão de massas de ar oriundas de áreas de alta pressão atmosférica do hemisfério norte, especialmente quando episódios de frio intenso atingem a Europa e a América do Norte.
Os dados médios de precipitação mostram que, em fevereiro, Rio Branco registra cerca de 298,9 milímetros de chuva, volume superior ao observado em janeiro, que é de 286,1 milímetros. Em Cruzeiro do Sul, a média de fevereiro é de 258,3 milímetros, contra 247,0 milímetros em janeiro. Já em Tarauacá, fevereiro apresenta média de 269,5 milímetros, abaixo dos 316,6 milímetros registrados no mês anterior. Em Epitaciolândia, os volumes são semelhantes, com 292,2 milímetros em fevereiro e 290,6 milímetros em janeiro.
As temperaturas durante fevereiro permanecem relativamente estáveis devido à alta nebulosidade. As máximas raramente ultrapassam 33°C, com médias entre 28°C e 31°C. As temperaturas mínimas, registradas geralmente no início das manhãs, variam entre 21°C e 24°C. As menores temperaturas já observadas no Acre, nesse mês, nos últimos 60 anos, foram de 17,0°C em Rio Branco e 17,2°C em Tarauacá.
Para fevereiro de 2026, a tendência apontada por Davi Friale é de chuvas dentro da média ou ligeiramente abaixo do esperado para o período. A análise considera as condições atuais da atmosfera e dos oceanos observadas no fim de janeiro, além da comparação com configurações semelhantes registradas em anos anteriores.
Segundo o pesquisador, há probabilidade muito alta de que as chuvas fiquem um pouco abaixo da média climatológica no estado. A chance de volumes muito abaixo ou muito acima da média é considerada muito baixa. Essa tendência está associada ao frio intenso registrado na última semana de janeiro na Europa e na América do Norte, que favorece o deslocamento de massas de ar mais seco para a região amazônica.
Com isso, os primeiros dias de fevereiro de 2026 devem ser mais secos, com maior ventilação, ventos predominantes do norte e variações de noroeste e nordeste, além de períodos de sol intenso e menor ocorrência de chuva. Na sequência, a previsão indica a retomada de dias chuvosos, com a chegada de ar úmido proveniente do Atlântico Equatorial, onde as águas mais quentes intensificam a evaporação e o transporte de umidade para o Acre.