O valor da carga de medicamentos e insumos hospitalares apreendidos pela Polícia Civil do Acre (PCAC), na manhã desta segunda-feira (5), em Rio Branco, pode ultrapassar R$ 1 milhão. As investigações indicam que os desvios na rede pública de saúde teriam começado ainda em 2023. A estimativa foi apresentada pela instituição durante coletiva de imprensa, com base no volume e no tipo de material encontrado.
A apreensão ocorreu durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em um imóvel localizado no Beco da Glória, no bairro da Pista, região da Sobral. No local, policiais encontraram uma grande quantidade de medicamentos e equipamentos hospitalares armazenados de forma irregular. Eugênio Gonçalves Neves, ex-balconista de farmácia, foi detido em flagrante, suspeito de armazenar e comercializar clandestinamente o material.
Segundo o delegado Igor Brito, titular da Delegacia de Combate à Corrupção (Defaz), o volume de medicamentos encontrados foi tão expressivo que exigiu o uso de caminhões para o transporte do material, reforçando a suspeita de um esquema estruturado e contínuo de desvio.

“Literalmente era uma carga. Dois caminhões médios de medicamentos, de valores variados, inclusive de altíssimo custo. A estimativa preliminar é que esse material ultrapasse a casa de um bilhão de reais”, afirmou o delegado.
Entre os itens apreendidos, estão medicamentos para tratamento de câncer, Covid-19, diabetes, além de insumos para hemodiálise, opióides e remédios de uso controlado, muitos deles classificados como tarja preta. Também foram encontrados materiais hospitalares como sondas, gases e luvas, retirados de unidades de saúde estaduais e municipais.
A investigação, que durou aproximadamente um ano, aponta que os produtos têm origem no desvio de insumos da rede pública de saúde, incluindo materiais vinculados à Fundação Hospitalar, retirados de unidades estaduais e municipais e revendidos de forma ilegal.
Suspeitas surgiram a partir de falhas no abastecimento
A investigação teve início após denúncia formal da própria Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), que identificou inconsistências no planejamento e na distribuição de medicamentos, com falta recorrente de remédios mesmo após aquisições regulares.
O delegado-geral da Polícia Civil, José Henrique Maciel, destacou que o caso evidencia a postura do governo estadual de não tolerar irregularidades dentro da administração pública. “Isso é o início. Hoje nós temos provas de que realmente havia e há pessoas comercializando remédios que eram destinados a outros que realmente precisam, pessoas que têm doenças doenças graves. ”, afirmou.
De acordo com o secretário de Saúde, Pedro Pascoal, há registros de suspeitas desde 2023, inicialmente relacionadas ao desvio de medicamentos controlados, alguns deles com potencial letal quando utilizados de forma irregular.
“Nós tivemos conhecimento de que as medicações eram furtadas. Essas informações, inicialmente, não tinham provas, mas seriam por parte de alguns funcionários da saúde. As medicações fugiam do nosso planejamento”, disse, exemplificado que o Estado planejava a aquisição de uma quantidade específica de remédios e que nunca seria suficiente para as patologias. “Nós fizemos uma conversa inicialmente informal junto à Polícia Civil. Nesta operação, identificamos não somente o desvio de medicações, mas também de insumos, sondas, gases, luvas, outros equipamentos que também foram retirados de unidades de saúde”, explicou.








