
A Clínica UPAS, localizada no bairro da Sobral, em Rio Branco, foi alvo na quarta-feira, 14, de uma nova etapa da investigação da Polícia Civil que apura o desvio de medicamentos da rede pública estadual de saúde. A unidade pertence ao ex-deputado estadual Raimundinho da Saúde, que acompanhou a ação policial e afirmou que o estabelecimento atua dentro da legalidade.
Durante o cumprimento do mandado de busca, os policiais permaneceram com as portas da clínica fechadas enquanto realizavam os procedimentos de apuração. A ação integra uma operação em andamento, conduzida pela Polícia Civil com acompanhamento do Ministério Público.
Raimundinho da Saúde afirmou que a clínica não possui irregularidades e que está à disposição das autoridades. “Aqui a polícia pode procurar que não vai encontrar nada. A gente trabalha há vários anos dentro da legalidade. Temos depósito, podem ir lá e olhar o que quiserem. Todos os nossos materiais e medicamentos têm nota fiscal, todos comprados de representantes legais”, declarou.
O ex-deputado destacou que considera legítima a investigação. “É um trabalho excelente do Ministério Público e da Polícia Civil. Tem que investigar mesmo para saber onde foi que pararam esses medicamentos, porque muitas vezes fazem falta nas unidades de saúde pública do nosso estado”, afirmou.

Raimundinho também comentou sobre a citação do nome de Eugênio nas apurações e disse conhecê-lo apenas como morador do bairro. “Ele é uma figura conhecida aqui da Sobral. Mora aqui, anda pela rua, todo mundo conhece. Mas nunca ofereceu medicamentos para a clínica”, disse.
Segundo o proprietário, a Clínica UPAS não comercializa medicamentos nem trabalha com insumos hospitalares. “Nós não vendemos medicamentos. Aqui a gente trabalha apenas com consultas e exames. Não faz sentido falar em oferta de medicamento para uma clínica que não atua com isso”, reforçou.
O ex-deputado defendeu que a apuração seja ampliada para outros estabelecimentos privados. “É natural que se verifique todas as clínicas de Rio Branco e até alguns hospitais particulares. Tem que saber onde esse medicamento foi parar e trazer tudo à luz da sociedade”, declarou, acrescentando que não há restrição para prestar esclarecimentos à imprensa ou às autoridades.
No caso da clínica, os proprietários passaram a ser investigados sob a hipótese de crime de receptação de medicamentos, conforme as informações repassadas pela Polícia Civil. Durante a ação, os policiais realizaram procedimentos de apuração no interior do estabelecimento.
Mandados cumpridos nesta quarta
Além da clínica, os investigadores cumpriram outro mandado na região da Gameleira, onde foi localizado mais um depósito clandestino utilizado para o armazenamento irregular de medicamentos oriundos da rede pública. Segundo a Polícia Civil, a autoridade policial trabalha com a hipótese de que o imóvel seja de responsabilidade do mesmo idoso de 74 anos que já vinha sendo investigado desde a semana passada por envolvimento no esquema.
Com as diligências desta quarta-feira, já são cinco ordens judiciais cumpridas no curso da investigação, iniciada há alguns meses a partir de solicitação do secretário de Estado de Saúde. A apuração ganhou força após a identificação, nos últimos dias, de outros imóveis usados como depósitos clandestinos em bairros da capital, onde foram encontrados medicamentos, kits de hemodiálise, ampolas, seringas, luvas e materiais de paramentação, alguns armazenados de forma inadequada.
De acordo com a Polícia Civil, todo o material apreendido pertence à rede estadual de saúde e foi desviado de forma ilícita. Os itens recolhidos estão sendo encaminhados para um galpão em Rio Branco, onde passam por triagem, contagem e levantamento, com o objetivo de dimensionar o prejuízo causado ao sistema público.
O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, José Henrique Maciel, destacou a gravidade do caso e reforçou o compromisso da instituição com a responsabilização dos envolvidos.
“Estamos tratando de um crime extremamente grave, que atinge diretamente a população que depende do sistema público de saúde. A Polícia Civil está atuando de forma firme e contínua para identificar todos os responsáveis, desarticular esse esquema criminoso e garantir que os culpados sejam responsabilizados na forma da lei”, afirmou.
As investigações seguem em andamento, e novas diligências não estão descartadas. A Polícia Civil reforça que denúncias anônimas, pelo número 181, podem contribuir de forma decisiva para o avanço das apurações.
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