
O deputado federal Eduardo Velloso divulgou um vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira, 29, após ser um dos alvos da Operação Graco, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de irregularidades na aplicação de emendas parlamentares destinadas ao município de Sena Madureira, no interior do Acre.
Na gravação, o parlamentar confirmou que agentes da Polícia Federal estiveram em sua residência para o cumprimento de mandado de busca e apreensão e informou que, após as diligências, foram levados um telefone celular e um tablet. “Depois de vasculhar todos os cômodos e milhares de papéis, eles levaram o meu celular e o meu tablet”, afirmou.
“Tenho fé em Deus e certeza da minha inocência. Acredito na Justiça e tenho fé em Deus que isso rapidamente será esclarecido. O nosso papel é destinar sim as emendas a todos os municípios. Estou aqui pronto para responder tudo que for necessário para comprovar que eu não tenho nada a ver com destinação de emendas irregulares. O nosso trabalho é transparente e verdadeiro. Continuarei seguindo firme”, disse.
Operação Graco
A Operação Graco investiga suspeitas de desvio de aproximadamente R$ 912 mil em recursos públicos oriundos de emendas parlamentares na modalidade de transferência especial, conhecidas como “Emendas Pix”. Os valores teriam sido utilizados para custear três shows musicais durante a feira agropecuária de Sena Madureira, realizada em setembro de 2024.
O foco da apuração é um contrato estimado em cerca de R$ 1,3 milhão, firmado por meio de inexigibilidade de licitação. De acordo com as investigações, há indícios de sobrepreço, uso de cartas de exclusividade consideradas irregulares e pagamento antecipado, feito antes da prestação dos serviços, prática vedada pela legislação.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão no Acre e no Distrito Federal, além da autorização para quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal.
O que dizem os outros investigados
Também em vídeo, Mazinho Serafim afirmou que os recursos utilizados nos shows da feira agropecuária foram aplicados regularmente, negou qualquer desvio e disse estar tranquilo quanto às investigações.
Já o advogado Giordano Simplício Jordão declarou, em nota, que não executa emendas parlamentares, não participa da indicação de beneficiários, não ordena despesas e não recebe recursos públicos provenientes de emendas. Ele informou que buscará acesso integral aos autos para apresentar os esclarecimentos e a defesa técnica cabíveis.
As investigações seguem em andamento. Os envolvidos poderão responder por crimes como associação a organização criminosa, fraude à licitação, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros delitos correlatos.