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Câncer: método que purifica sangue será testado como vacina antitumor

Câncer: método que purifica sangue será testado como vacina antitumor

Thom Leach/Science Photo Library/Getty Images

Quando fazemos uma doação de sangue, este material orgânico passa por um tratamento com luz ultravioleta associada à riboflavina (a vitamina B2) para eliminar uma série de doenças do sangue. Este método de purificação, chamado de Mirasol, será adaptado para ser testado em humanos como uma “vacina” contra o câncer de ovário.

A proposta dos cientistas do centro City of Hope, na Califórnia, envolve usar células tumorais retiradas durante cirurgias com o método e depois de inativá-las reintroduzi-las no organismo para tentar estimular a resposta imunológica contra a doença.

A estratégia já passou por testes em camundongos e cães e teve resultados positivos. Os testes em humanos foram autorizados nos Estados Unidos em julho de 2025 para começar em janeiro deste ano.

A expectativa dos pesquisadores é que a abordagem atue como vacina terapêutica personalizada. O objetivo principal consiste em avaliar segurança e capacidade de induzir resposta imunológica. A técnica parte de material do próprio tumor removido durante cirurgia e tratado antes da reaplicação.

“A esperança é que isso retarde ou impeça a recaída, em combinação com outras terapias”, afirmou em entrevista à Science o químico Ray Goodrich, que ajudou a desenvolver o Mirasol há mais de 20 anos e, em 2018, cofundou a empresa PhotonPharma para adaptar a tecnologia ao combate ao câncer.

Estudo contra o câncer de ovário
O novo estudo começa neste mês no centro City of Hope, na Califórnia, com patrocínio da PhotonPharma. O ensaio de fase 1 pretende recrutar oito pacientes com câncer epitelial de ovário recorrente. Todas passarão por cirurgia para retirada de tumores.

Pesquisadores tratarão células tumorais com riboflavina e luz ultravioleta e as combinarão com adjuvante imunomodulador para produzir vacina personalizada. Cada participante receberá três doses, com monitoramento de efeitos colaterais e respostas imunológicas.

O objetivo é saber se a abordagem baseada em luz UV provocará resposta mais intensa, já que os resultados em animais, embora positivos, mostraram dados de benefícios muito modestos. O acompanhamento envolve coleta de sangue para medir resposta imune e carga da doença ao longo de semanas.

A conclusão primária do estudo está prevista para junho e o término para dezembro deste ano, quando os resultados finais devem ser demonstrados.

Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença

A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.

Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago

A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão

Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido

Do tratamento de sangue ao câncer
O Mirasol usa a vitamina B2 ativada com luzes ultravioletas para se ligar ao DNA e ao RNA de células, o que danifica o material genético de microrganismos, impedindo a reprodução de patógenos presentes no sangue tratado. O procedimento prejudica as plaquetas e as células doadas, por isso pacientes que recebem sangue tratado costumam precisar de bolsas adicionais.

Segundo Goodrich, a proposta aproveita a experiência acumulada em segurança transfusional para explorar possível benefício oncológico. A ideia é usar as células do tumor para desenvolver proteínas novas (neoantígenos) a partir do estímulo do Mirasol que ajudem o sistema imunológico a reconhecer melhor as células que não são saudáveis.

Por Metrópoles

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