A captura de Nicolás Maduro não encerra a crise venezuelana — ela inaugura uma nova fase. Ao anunciar que vai administrar o país de forma interina, o governo dos Estados Unidos deixa claro que pretende ir além da prisão do líder chavista e assumir um papel central na reorganização do poder, da economia e das instituições da Venezuela.
Após a prisão de Maduro, o governo americano passou a tratar a Venezuela como um território em transição sob tutela internacional, ainda que sem respaldo formal de organismos multilaterais. A estratégia anunciada por Donald Trump indica três eixos principais de atuação: controle político temporário, reestruturação econômica — com foco no petróleo — e manutenção da pressão militar como instrumento de dissuasão.
No plano político, Washington afirma que atuará como fiador de uma transição “justa e legal”, sem detalhar prazos ou regras. Na prática, isso significa que os Estados Unidos pretendem influenciar diretamente a formação de um novo governo, escolhendo interlocutores considerados confiáveis e afastando figuras vistas como ligadas ao chavismo ou incapazes de garantir estabilidade.
A indefinição sobre o reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidente interina é parte dessa estratégia. Ao não chancelar imediatamente a sucessão constitucional, os EUA mantêm margem para negociar um arranjo político mais alinhado aos seus interesses, seja por meio de um governo provisório ampliado, seja por um conselho de transição com participação externa.
No campo econômico, o papel americano é ainda mais explícito. Trump anunciou a entrada de grandes petroleiras dos EUA na Venezuela como prioridade imediata, sob o argumento de recuperar uma indústria “destruída pelo socialismo”. A medida aponta para uma abertura acelerada do setor energético, com revisão de contratos, flexibilização regulatória e possível privatização de ativos estratégicos.
Esse movimento tende a reposicionar a Venezuela no mercado global de energia, reduzindo a influência de parceiros históricos como Rússia, China e Irã e aproximando o país da órbita econômica americana. Para críticos, trata-se de um redesenho econômico conduzido de fora para dentro, com alto risco de perda de soberania sobre recursos naturais.
No plano militar, Washington sinaliza que não considera a missão encerrada. Trump afirmou que “elementos hostis” do antigo regime ainda operam no país e não descartou novas ofensivas. A presença de navios, aeronaves e forças especiais na região funciona como garantia de pressão constante e como aviso a setores das Forças Armadas venezuelanas que resistam à transição.
Internamente, o governo dos EUA também concentra decisões. O Congresso só foi informado da operação após sua execução, o que indica que a condução da política venezuelana ficará majoritariamente nas mãos do Executivo, com pouca mediação institucional.
Externamente, os Estados Unidos assumem o custo diplomático da operação. A reação negativa de países latino-americanos e de potências globais sugere que Washington está disposto a enfrentar isolamento político parcial para consolidar sua estratégia na Venezuela.
Com informações do g1






