Durante escavações em Jerusalém, equipes da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) descobriram um mikveh – uma estrutura para banhos ritualísticos – sob a Praça do Muro das Lamentações, um dos locais mais sagrados para o judaísmo.
Usada para rituais de purificação em que se imerge completamente do corpo em água coletada naturalmente, a estrutura do mikveh foi encontrada selada em depósitos de cinzas datados de 70 d. C., época referente à invasão romana de Jerusalém.
Rituais de purificação
Segundo comunicado da IAA publicado em 28 de dezembro, o mikveh foi escavado diretamente na rocha do local, possuindo formato retangular e dimensões de 3,05 m de comprimento, 1,35 m de largura e 1,85 m de altura. Quatro degraus da banheira foram expostos, permitindo o acesso dos arqueólogos ao interior da estrutura.
Na camada selada de cinzas que remetem ao final da era do Segundo Templo, período encerrado com a destruição de Jerusalém pelos romanos, foram descobertos “numerosos vasos de cerâmica e ferramentas de pedra, típicos da população judaica que vivia na cidade às vésperas da destruição”, segundo o comunicado.
As escavações sob a Praça do Muro das Lamentações estão localizadas onde antes, há quase 2 mil anos, encontrava-se o Segundo Templo de Jerusalém e duas das suas principais entradas: a Grande Ponte ao norte e o Arco de Robinson ao sul. Outros mikveh, vasos de pedra e outros objetos associados a rituais de purificação já haviam sido descobertos na zona de escavação anteriormente.
“Deve-se lembrar que Jerusalém era uma cidade santuário. Como tal, muitos aspectos da vida cotidiana foram adaptados a esse fato, e isso se expressa, em particular, na extrema rigidez dos moradores da cidade e da região circundante em relação às leis de impureza e pureza”, afirma Ari Levy, diretor das escavações em nome da IAA, em comunicado.
Escavações sob o Muro das Lamentações, em Jerusalém
A descoberta do mikveh ocorreu próxima a uma data importante do calendário: o dia 10 do mês hebraico de Tevet marca um dia de jejum e luto nacional ao povo judeu por marcar o início do sítio de Jerusalém pelo exército de Nabucodonosor, e a subsequente destruição do Primeiro Templo.
Os pesquisadores especulam que os banhos de purificação serviam aos judeus que viviam na área e aos peregrinos que visitavam o Templo, sendo que mais investigações podem colaborar para a “desenterrar o passado da cidade”.
“A descoberta do banho de purificação sob a Praça do Muro das Lamentações reforça a compreensão de quão interligadas estavam a vida religiosa e a vida cotidiana em Jerusalém durante os templos do Templo (…), enfatiza a importância da continuidade das pesquisas arqueológicas em Jerusalém”, diz o Ministro de Patrimônio de Israel, Amichai Eliyahu.
Revista Galileu