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Pesquisa aponta quem tem mais chance de morrer por dengue no Brasil

Estudo da Fiocruz analisou milhões de casos no Brasil e mostrou como desigualdades sociais influenciam a letalidade da dengue.

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
19/01/2026 - 17:15
Foto: Joao Paulo Burini/Getty Images

Foto: Joao Paulo Burini/Getty Images

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Endêmica no Brasil, a dengue provoca milhares de internações todos os anos e segue como um desafio para a saúde pública. Para entender quem são as pessoas mais vulneráveis à forma grave da doença, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) analisaram milhões de registros de casos e óbitos no país.

A análise indica que, apesar de ser uma doença conhecida e contar com protocolos de atendimento bem definidos, a dengue não atinge todos da mesma maneira.

O trabalho, publicado na revista PLOS Neglected Tropical Medicine em 3 de novembro de 2025, investigou como fatores sociais influenciam a mortalidade após a infecção pelo vírus e mostrou que pessoas negras e de baixa renda enfrentam um risco significativamente maior de morrer por dengue no Brasil.

Quem concentra o maior risco
Os resultados indicam que o risco de morte por dengue é maior entre homens, pessoas negras, moradores da região Nordeste, indivíduos com baixa ou nenhuma escolaridade e pessoas com 60 anos ou mais.

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Também aparecem com maior risco aposentados ou pensionistas e famílias que vivem em condições precárias de moradia e infraestrutura.

Entre os achados mais expressivos está a diferença racial. Pessoas negras apresentaram cerca de duas vezes mais chance de morrer nos primeiros 15 dias após o início dos sintomas da dengue quando comparadas a pessoas brancas.

“Na prática, os resultados mostram que a letalidade por dengue no Brasil está fortemente ligada às desigualdades sociais”, explica Cardim.

Segundo ela, muitos óbitos acontecem porque há demora na busca por atendimento ou dificuldades na oferta de cuidados adequados nos serviços de saúde, especialmente nos casos que evoluem rapidamente para quadros graves.

Desigualdade social pesa no risco de morte
O estudo foi liderado por Luciana Cardim, pesquisadora associada ao Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia). Segundo ela, a proposta foi olhar para raça e renda não como fatores isolados, mas como parte de uma estrutura social que interfere diretamente no acesso ao diagnóstico e ao cuidado em saúde.

“Esses são fatores determinantes que, quando desiguais, podem atrasar o diagnóstico, dificultar o manejo adequado dos casos graves e, consequentemente, aumentar as chances de óbito após a infecção por dengue”, afirma a pesquisadora, em comunicado.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram mais de 3 milhões de casos de dengue registrados entre 2007 e 2018. Os dados fazem parte da coorte de 100 milhões de brasileiros e foram cruzados com informações socioeconômicas do Cadastro Único, além de registros oficiais de óbitos.

Esse cruzamento permitiu identificar mortes por dengue que não haviam sido corretamente classificadas nos sistemas oficiais, o que ajudou a estimar de forma mais precisa a letalidade da doença entre populações mais vulneráveis.

Dificuldade em identificar mortes por dengue
Outro ponto central do estudo é a dificuldade de identificar corretamente o óbito por dengue. Ao analisar as declarações de óbito de pessoas em situação de vulnerabilidade, os pesquisadores encontraram registros com causas mal definidas ou com outras doenças listadas como causa principal da morte.

“Embora certas condições de saúde tenham sido agravadas pela infecção por dengue, levando ao óbito, elas não são a causa principal”, afirma Cardim. Para a pesquisadora, isso indica que as mortes por dengue podem estar sendo subestimadas no país.

O estudo destaca a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para o preenchimento correto da Declaração de Óbito, o que é essencial para melhorar a qualidade das informações e fortalecer a vigilância epidemiológica.

Caminhos para reduzir desigualdades
As conclusões do estudo reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e à assistência em saúde nas populações mais vulneráveis. No campo preventivo, eles destacam a importância de reforçar o controle do mosquito Aedes aegypti em áreas com piores condições de infraestrutura.

Na assistência, os pesquisadores apontam o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde como essencial para identificar precocemente os sinais de gravidade da dengue e garantir encaminhamento rápido. A hidratação adequada e o atendimento no tempo certo seguem como medidas fundamentais para evitar mortes, sobretudo nos primeiros dias da doença.

Por: Metrópoles

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