O Acre registrou o maior número de trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão na Região Norte ao longo de 2025. Ao todo, 19 pessoas foram libertadas, segundo balanço oficial do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
O levantamento nacional foi divulgado nesta terça-feira, 28, no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, e reúne dados das ações de fiscalização realizadas em todo o país ao longo de 2025. No período, 2.772 trabalhadores e trabalhadoras foram resgatados em 1.594 ações fiscais, com a garantia de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias pagas às vítimas.
Na Região Norte, o Acre aparece à frente de estados como Pará, que registrou 17 resgates, Tocantins, com 7, Rondônia e Roraima, ambos com 5, e Amazonas, com 4. O Amapá não teve registros de trabalhadores resgatados no período.
Além dos resgates, as fiscalizações realizadas no Acre e nos demais estados asseguraram direitos trabalhistas a mais de 48 mil trabalhadores, mesmo nos casos em que não foi caracterizada a condição de trabalho análogo à escravidão. A atuação dos auditores-fiscais resultou no pagamento de verbas trabalhistas e na regularização de vínculos empregatícios.
De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), os setores com maior número de trabalhadores resgatados em 2025 foram obras de alvenaria, administração pública em geral, construção de edifícios, cultivo de café e extração e britamento de pedras e outros materiais para construção. As ações também identificaram ocorrências em atividades como desmatamento, mineração ilegal, indústria têxtil e trabalho doméstico.
Os dados apontam uma mudança no perfil dos resgates no Brasil. Em 2025, 68% das pessoas encontradas em condição análoga à escravidão estavam no meio urbano, superando os registros no meio rural, cenário diferente do observado em anos anteriores.
No recorte nacional, os estados com maior número de trabalhadores resgatados foram Mato Grosso (607), Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253). Já em número de ações fiscais, São Paulo liderou, seguido por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás.
Todo trabalhador resgatado tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas no valor de um salário mínimo. As vítimas também são encaminhadas à rede de assistência social e a outras políticas públicas, conforme o perfil de cada caso.
Segundo a coordenadora-geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravidão e do Tráfico de Pessoas, Shakti Borela, os resultados refletem a atuação integrada de órgãos como Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, pelo telefone 158 ou pelo Disque 100.