O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, comentou a atual situação política da Venezuela e a intervenção militar norte-americana no país ao traçar paralelos com episódios históricos e criticar a atuação de setores da esquerda internacional. As declarações foram feitas em um vídeo que circula em grupos de WhatsApp.
No vídeo, Bocalom afirma que o debate sobre interesses econômicos dos Estados Unidos não explicaria, por si só, os acontecimentos recentes no país vizinho.
“Muitos dizem que Trump só quer o petróleo da Venezuela, mas será que é isso mesmo?”, questionou. Para sustentar o argumento, Bocalom recorreu ao caso do Panamá, no fim da década de 1980. “Em 1989, o Panamá vivia sob a ditadura do tal do Manuel Noriega, que fraudou eleições, violou direitos humanos e se aliou ao narcotráfico”, afirmou.
Segundo o prefeito, à época, críticas semelhantes também foram feitas à atuação norte-americana. “Na época, o presidente dos Estados Unidos, George Bush, interviu, a ONU e os defensores da ditadura de Noriega diziam que o verdadeiro interesse dos Estados Unidos era somente o canal do Panamá”, disse. Ele destacou o desfecho do episódio: “Noriega foi capturado, olha só, dia 3 de janeiro de 1990. O Panamá permaneceu soberano e hoje o país livre da ditadura”.
Bocalom afirmou ainda que os indicadores sociais panamenhos melhoraram após a queda do regime. “O PIB per capita e o IDH são muito superiores ao do Brasil”, declarou. Em seguida, relacionou o episódio histórico com o cenário atual da Venezuela. “Mais uma vez a história se repete. Nós vivenciamos esse dia histórico, dia 3 de janeiro, agora de 2026, Maduro foi capturado”, afirmou.
‘Omissão’ de grupos políticos
O prefeito também criticou a postura de grupos políticos que, segundo ele, se omitiram diante da crise humanitária venezuelana. “Onde estavam os esquerdistas, defensores do Maduro, quando o povo venezuelano comia do lixo?”, questionou. Em seguida, acrescentou: “Onde estavam esses esquerdistas quando mais de 8 milhões de pessoas saíram da Venezuela para fugir da fome, da miséria e da perseguição?”.
Bocalom voltou a citar denúncias de repressão no país. “Onde estavam os esquerdistas quando milhares foram mortos pelo aparato repressivo do regime, conforme a própria ONU já fala?”, disse. Ele também questionou a reação internacional diante da exploração econômica. “Houveram protestos quando a Rússia, a China, Cuba e o Irã levaram o petróleo venezuelano embora e o povo ficou na miséria? Eu tenho certeza que não”, afirmou.
Na avaliação do prefeito, houve silêncio diante de sucessivas denúncias de irregularidades políticas. “Quantas eleições foram fraudadas e os opositores foram perseguidos? A resposta é a mesma: não, não e não”, declarou. Ele também mencionou a líder da oposição venezuelana. “A mesma esquerda que se diz defender a democracia e o direito das mulheres ignorou quando Maria Corina, uma mulher venezuelana, líder da oposição, venceu o prêmio Nobel”, afirmou. Segundo Bocalom, “não houve manifestações, não houve apoio, não houve nenhum tipo de solidariedade, porque ela é de direita”.
Para o prefeito, o apoio ao regime venezuelano se sobrepôs às denúncias. “Preferiram defender o regime do Maduro, a perseguição, a matança e a exploração dos mais pobres”, disse. Ao concluir, Bocalom voltou ao exemplo panamenho. “O exemplo lá de trás do Panamá mostra que um país rico em recursos pode, sim, voltar a ter prosperidade, voltar a ter liberdade e, principalmente, voltar a ter dignidade”.
O prefeito defendeu ainda que a condução do debate deve priorizar a população diretamente afetada. “É a hora de respeitar o lugar da fala dos nossos irmãos venezuelanos. Eles, sim, podem falar, e não quem não é venezuelano”, afirmou. Para ele, o momento representa uma mudança de rumo. “O que a gente está vendo hoje é eles celebrarem um novo futuro”. Bocalom finalizou dizendo que “ninguém, a não ser os próprios venezuelanos, tem o direito de falar por eles. Temos, sim, que respeitar e apoiar nossos irmãos venezuelanos”.
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