O secretário de Governo do Acre, Luiz Calixto, afirmou que não acredita, neste momento, na pré-candidatura do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, ao Governo do Estado. A declaração foi feita em entrevista ao portal A GAZETA, nesta segunda-feira, 26, ao comentar as especulações em torno do cenário eleitoral de 2026.
Segundo Calixto, qualquer projeto eleitoral para o governo precisa, antes, passar pela avaliação dos resultados da atual gestão municipal. Para ele, o prefeito ainda não apresentou respostas concretas à população da capital sobre compromissos assumidos na campanha de 2024.
“Para ser candidato, Bocalom tem que provar à população de Rio Branco que a gestão dele deu certo. E não deu. Não resolveu a situação da água, não resolveu a situação das ruas e também não conseguiu resolver a situação do transporte público. Essa resposta ele precisa dar à população, e não deu.”
Pactos firmados na campanha
O secretário destacou que o grupo político ao qual pertence apoiou a reeleição do prefeito com base em acordos definidos durante a campanha. Esses compromissos, segundo ele, ainda não se concretizaram.
“Foram assumidos vários pactos e nós apoiamos esse projeto de melhorar a questão da água, do saneamento, do transporte coletivo, da entrega de habitações, dos ônibus elétricos, de uma série de fatores que ainda não foram, digamos que, resolvidos.”
Crítica a uma saída antecipada do cargo
Calixto também criticou a possibilidade de Bocalom deixar a prefeitura antes do fim do mandato para disputar outro cargo eletivo. Na avaliação do secretário, uma eventual saída precoce agravaria problemas administrativos já existentes.
“Deixar uma gestão com um ano e três meses de mandato para assumir novos compromissos, para fazer novas promessas, é isso que eu tenho dito. Primeiro ele tem que prestar contas daquilo que foi feito.”
Ele ainda questionou a viabilidade de solucionar pendências em um curto intervalo de tempo, caso o prefeito se afaste para concorrer ao governo.
“Ele tem que se afastar em abril. Nós temos três meses. Se em um ano e três meses não resolveu, em três meses é que ele não vai solucionar.”
Relação com o eleitorado
Para o secretário, a repetição de promessas sem entrega compromete a credibilidade política e desgasta a relação com os eleitores.
“A gente não pode brincar com o sentimento do eleitorado. Você não pode estar fazendo compromissos e transformar tudo em promessa eleitoreira. Senão, a cada dois anos assumimos novos compromissos e esquecemos os que passaram.”
Durante a entrevista, Calixto afirmou que só passará a acreditar em uma candidatura de Bocalom ao governo diante de um ato formal.
“Só acredito que o Bocalom será candidato ao Governo quando eu ver o pedido de afastamento dele protocolado na Câmara. Enquanto isso, é só promessa.”
Partido e cenário político
O secretário também comentou especulações sobre uma possível mudança partidária do prefeito, caso o PL não aceite sua pré-candidatura. Segundo Calixto, uma eventual ida para o PSDB não faria sentido do ponto de vista ideológico.
“Não faz nenhum sentido que o Bocalom, que é de extrema direita, vá para um partido como o PSDB, que é social-democrata. Que contrassenso é esse? Ele não se apresenta como um membro da extrema direita liberal?”
Ao final, Luiz Calixto reafirmou apoio à pré-candidatura da vice-governadora Mailza Assis ao Governo do Estado e voltou a defender que os compromissos assumidos com a população de Rio Branco sejam cumpridos antes de qualquer novo projeto eleitoral.
“O correto é honrar tudo aquilo que foi pactuado com a população de Rio Branco na campanha de 2024.”








