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Cobertura vacinal contra a dengue no Acre não chegou a 12% em 2025, aponta Sesacre

Cobertura vacinal contra a dengue no Acre não chegou a 12% em 2025, aponta Sesacre

Foto: Júnior Aguiar/Sesacre

A vacinação contra a dengue no Acre avançou em ritmo lento e desigual entre os municípios, especialmente quando se observa a aplicação da segunda dose, essencial para a proteção completa. Dados consolidados até 9 de novembro de 2025, disponibilizados pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) mostram que, de um público-alvo de 75.573 crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, apenas 21.232 receberam a primeira dose (cobertura de 28,09%) e somente 8.565 completaram o esquema com a segunda dose, o que representa uma cobertura estadual de apenas 11,33%.

O cenário é ainda mais preocupante nos municípios mais populosos do estado. Rio Branco, que concentra a maior meta vacinal (28.831 crianças e adolescentes), aplicou a primeira dose em 5.103 pessoas, alcançando apenas 17,70% de cobertura, enquanto a segunda dose chegou a 1.783, o equivalente a 6,18%. Em Cruzeiro do Sul, segundo maior município, a situação é semelhante: de uma meta de 8.727, apenas 1.713 receberam a primeira dose (19,63%) e 547 a segunda (6,27%). Já Tarauacá apresenta um dos piores desempenhos do estado, com 16,71% de cobertura na primeira dose e apenas 4,57% na segunda.

Por outro lado, municípios menores do interior apresentam resultados significativamente melhores, sobretudo na primeira dose. Manoel Urbano lidera o ranking estadual, com 68,04% de cobertura na primeira dose (860 vacinados de uma meta de 1.264) e 37,50% na segunda (474 pessoas). Jordão também se destaca, com 64,09% na primeira dose e 32,09% na segunda. Acrelândia aparece logo atrás, com 63,98% de cobertura inicial e 33,23% na dose de reforço.

Apesar desses exemplos positivos, a maioria dos municípios ainda não conseguiu atingir sequer metade da população-alvo com a primeira aplicação. Em Sena Madureira, por exemplo, a cobertura da primeira dose é de 46,72%, mas cai para 20,43% na segunda. Brasiléia registra 41,15% na primeira dose e 18,82% na segunda, enquanto Xapuri tem 40,80% e 17,89%, respectivamente. Já em Porto Acre, apenas 24,77% receberam a primeira dose e 11,21% completaram o esquema.

Ainda segundo os números, o principal gargalo da campanha é a segunda dose. Em nenhum município acreano a cobertura do esquema completo ultrapassa 40%. Em Porto Walter, por exemplo, a segunda dose alcançou somente 9,15% do público-alvo; em Rodrigues Alves, 8,98%; e em Cruzeiro do Sul, pouco mais de 6%.

Apenas em 2025, o Acre registrou um aumento de quase 50% nos casos de dengue, ainda segundo boletim epidemiológico disponibilizado pela Sesacre.

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