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Com aumento de 75%, Acre volta a registrar maior taxa proporcional de feminicídios do Brasil

Estado registrou 14 mortes, o equivalente a 1,58 caso por 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Justiça.

Vitor Paiva por Vitor Paiva
21/01/2026 - 14:00
Com aumento de 75%, Acre volta a registrar maior taxa proporcional de feminicídios do Brasil
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O Acre encerrou 2025 como o estado brasileiro com a maior taxa proporcional de feminicídios, ao registrar 14 assassinatos de mulheres motivados por violência doméstica ou discriminação de gênero, o equivalente a 1,58 caso por 100 mil habitantes. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

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Embora apareça entre os estados com menor número absoluto de ocorrências, o Acre supera Amapá, com nove casos, e Roraima, com sete, quando considerada a proporção populacional. Em relação a 2024, quando foram contabilizados oito feminicídios, o estado apresentou um aumento de 75% nos registros.

Com esse resultado, o Acre voltou a atingir o pico da série histórica dos últimos dez anos, repetindo os patamares observados em 2016 e 2018, anos que também encerraram com 14 ocorrências. Desde 2015, início da tipificação penal do feminicídio no Brasil, o estado contabilizou 122 vítimas, ultrapassando a marca de 100 mortes em 2023.

Brasil bate recorde histórico

Em todo o país, 2025 foi o ano com mais feminicídios já registrados desde a sanção da Lei do Feminicídio. De janeiro a dezembro, 1.470 mulheres foram mortas, superando o recorde anterior, de 2024, quando houve 1.464 registros. A média nacional ficou próxima de quatro mulheres assassinadas por dia.

O total ainda pode ser maior, já que alguns estados, como São Paulo, não haviam atualizado integralmente os dados de dezembro no sistema federal até o fechamento do levantamento. Mesmo assim, São Paulo lidera em números absolutos, com 233 casos, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104).

Ao longo da última década, o Brasil somou 13.448 feminicídios, o que representa uma média anual superior a 1,3 mil mulheres mortas em razão do gênero. Apesar de figurar entre os estados com menor número absoluto de ocorrências, o Acre aparece entre aqueles com maior taxa proporcional, ao lado de Rondônia (1,43) e Mato Grosso (1,36).

Subnotificação e escalada da violência

Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Samira Bueno, os números oficiais ainda são subestimados, já que parte dos crimes acaba sendo registrada como homicídio, mesmo quando há indícios claros de feminicídio.

Segundo a especialista, pesquisas recentes indicam aumento generalizado de outras formas de violência contra mulheres, como perseguições, agressões físicas e estrangulamentos, crimes que frequentemente antecedem os assassinatos. Ela afirma que, ao cruzar boletins de ocorrência com outros registros, o cenário aponta para uma escalada da violência de gênero no país.

Endurecimento da lei

Diante do avanço dos números, o governo federal sancionou, em outubro, uma nova legislação que endurece as penas para o crime de feminicídio. A punição passou de 12 a 30 anos para 20 a 40 anos de prisão, além de tornar o crime hediondo.

A lei também determina prioridade na tramitação dos processos judiciais e prevê aumento de pena em casos com agravantes, como quando a vítima está grávida, é menor de 14 anos ou maior de 60, quando o crime ocorre na presença de filhos ou pais, ou ainda em situações de descumprimento de medidas protetivas.

Onde buscar ajuda no Acre

A Polícia Militar do Acre disponibiliza os seguintes números para denúncias de violência contra a mulher:

  • (68) 99609-3901
  • (68) 99611-3224
  • (68) 99610-4372
  • (68) 99614-2935

Outras formas de denúncia incluem:

  • Polícia Militar – 190: em caso de risco imediato
  • Samu – 192: para emergências médicas
  • Delegacias especializadas ou qualquer delegacia de polícia
  • Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): (68) 99930-0420
  • Disque 100: denúncias anônimas de violações de direitos humanos
  • WhatsApp do Ministério da Mulher: (61) 99656-5008

Profissionais da saúde também são obrigados a realizar notificação compulsória em casos de suspeita de violência, com encaminhamento aos órgãos competentes.

 

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