O caso dos desvios de medicamentos tomou uma nova dimensão nesta quarta-feira, 14, com a 4ª fase da operação que apura a situação. Os investigadores localizaram dois imóveis usados como depósitos clandestinos de remédios.
O desvio veio à tona ainda no último dia 5 de janeiro, quando uma investigação da Polícia Civil culminou no cumprimento de um mandado de busca e apreensão em uma casa situada no Beco da Glória, bairro da Pista, região da Sobral. Durante a ação, os policiais apreenderam uma grande quantidade de medicamentos e equipamentos hospitalares mantidos de forma irregular. No local, Eugênio Gonçalves Neves, ex-balconista de farmácia, foi detido em flagrante, suspeito de armazenar e comercializar clandestinamente o material.
Um depósito foi identificado na Rua Cunha Matos e, no local, foram encontradas caixas com ampolas armazenadas, material de paramentação, seringas, luvas e insumos destinados a hemodiálise. Já no segundo ponto, na Rua Eduardo Asmar, no Bairro Seis de Agosto, foram encontrados medicamentos, kits de hemodiálise e outros produtos hospitalares, inclusive abertos e espalhados pelo chão.
Os materiais encontrados nos depósitos são oriundos da rede estadual de saúde e foram desviados de forma ilícita, segundo a Polícia Civil.

A delegacia informou que novos mandados judiciais serão cumpridos ao longo da investigação e que outras pessoas podem ser presas e responsabilizadas pelo esquema
Mais de um milhão em medicamentos
De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal, o responsável pela denúncia que resultou na ação, o valor da carga de medicamentos e insumos hospitalares apreendidos pode ultrapassar R$ 1 milhão. As investigações indicam que os desvios na rede pública de saúde teriam começado ainda em 2023.
“Nós tivemos conhecimento de que as medicações eram furtadas. Essas informações, inicialmente, não tinham provas, mas seriam por parte de alguns funcionários da saúde. As medicações fugiam do nosso planejamento”, disse, exemplificado que o Estado planejava a aquisição de uma quantidade específica de remédios e que nunca seria suficiente para as patologias. “Nós fizemos uma conversa inicialmente informal junto à Polícia Civil. Nesta operação, identificamos não somente o desvio de medicações, mas também de insumos, sondas, gases, luvas, outros equipamentos que também foram retirados de unidades de saúde”, explicou.
