Famílias ribeirinhas de oito municípios do Acre começaram a receber, nesta semana, um reforço estratégico para a logística de transporte fluvial. Um lote de 182 embarcações equipadas com motores, adquirido por meio de um investimento de R$ 3,6 milhões, está sendo distribuído para cooperativas e associações rurais com o objetivo de facilitar o escoamento da produção agrícola em áreas de difícil acesso.
Os equipamentos estão concentrados no depósito da Companhia de Armazéns Gerais e Entreposto do Acre (Cageacre), em Cruzeiro do Sul, que atua como base logística para a operação. O foco da iniciativa é solucionar o elevado custo e a dificuldade de transporte de produtos como farinha, banana e açaí, que muitas vezes se perdem nas comunidades devido à falta de meios adequados para alcançar os centros consumidores.
Os equipamentos são fruto de emendas parlamentares de autoria de Perpétua Almeida, atual diretora da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), destinadas ainda durante seu mandato na Câmara Federal. Em visita técnica à Cageacre, a ex-parlamentar destacou a importância de o recurso chegar efetivamente ao produtor. “O ribeirinho precisa dessa estrutura para garantir o sustento da família e levar o fruto do seu trabalho até o mercado”, pontuou.

A distribuição dos kits beneficia os municípios de Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, Mâncio Lima e Jordão. Nesta segunda-feira, 19, a entrega oficial de 22 unidades foi realizada em Marechal Thaumaturgo.
Para municípios isolados, como Jordão, o envio antecipado das embarcações é considerado vital pela Defesa Civil e órgãos agrícolas, visando aproveitar o nível dos rios antes do período de vazante mais severa, o que dificultaria a navegação de carga.
Impacto na ponta
Sob gestão do Governo do Estado via Cageacre, os barcos serão de uso comunitário. A estratégia visa fortalecer o associativismo rural, permitindo que os produtores organizem fretes coletivos, reduzindo o valor final dos produtos nas feiras urbanas e aumentando a margem de lucro de quem produz na floresta.
Com a entrega desta frota, a expectativa é que o setor produtivo do Vale do Juruá tenha um ganho de agilidade nas próximas colheitas, diminuindo a dependência de atravessadores e garantindo maior segurança alimentar para as comunidades isoladas.